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  • João Pedro Yazaki

Crítica: 'King Richard: Criando Campeãs' é filme emocionante sobre as maiores tenistas da história

Atualizado: 11 de jan.


Venus e Serena Williams são duas das maiores tenistas da história. Além de serem praticamente imbatíveis em quadra, conquistando dezenas de títulos, são duas fontes de inspiração inigualáveis para a vida de milhões de pessoas que almejam conquistar seus maiores sonhos. Em King Richard: Criando Campeãs, o diretor Reinaldo Marcus Green retrata como essas meninas se tornaram duas fantásticas esportistas, através de um filme emocionante e com performance de gala de Will Smith.


O ator interpreta Richard Williams, pai de Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton), um homem que sofreu muito na vida devido às questões raciais e sociais, além de ter tido um pai pouco presente. Ele e sua esposa, Oracene (Aunjanue Ellis), decidem criar suas filhas de forma sistemática, explicando-as o quanto a vida é difícil para meninas negras. Por isso, estabeleceram um plano rigoroso de sucesso para cada uma delas, sendo Venus e Serena destinadas a serem as melhores tenistas do mundo.


No entanto, o pai não prepara as filhas apenas para o esporte. Devido ao seu passado repleto de dificuldades, Richard se sente no dever de ensinar suas meninas valores importantes da vida, focando no desenvolvimento pessoal e na inteligência emocional, não nos troféus que elas definitivamente iriam ganhar. Sendo assim, acompanhamos uma narrativa onde o protagonista direciona as filhas em direção ao sucesso, enquanto ele também aprende sobre ser um bom líder, além de um bom pai.


Sem dúvidas, o grande destaque do filme vai para o personagem de Will Smith. O ator deu vida a um personagem bastante tridimensional. Richard está longe de ser um homem perfeito. Em meio a erros e acertos, qualidades e defeitos, o pai de Venus e Serena está sempre tentando evoluir e ser diferente do homem que foi um dia. A performance de Smith realça muito bem cada nuança de Richard, sendo uma de suas melhores atuações até então.

Como a história não é apenas sobre Richard, os coadjuvantes também ganham seu devido destaque. Quando achamos que Venus não terá espaço para trazer suas convicções, a personagem finalmente ganha vida ao longo do segundo ato, tendo mais voz ativa na história. Serena, por sua vez, tem pouquíssimo tempo de tela. O filme decide focar na jornada de Venus até os 14 anos, mas não se esquece da importância de Serena para o sucesso das irmãs.


Apesar de não serem personagens tão profundos, Venus, Serena e Oracene são trabalhadas bem o suficiente para compor a narrativa. A dinâmica entre as meninas e a mãe, as outras irmãs e o pai é de um charme encantador. Por sinal, muito do filme ser emocionante vem dessa facilidade de nos apegarmos aos personagens, pela relação entre eles ser bastante graciosa de acompanhar.


Embora a narrativa não seja conduzida de forma inovadora, e o roteiro e direção sejam um pouco atrapalhados, ela funciona perfeitamente bem. Vários diálogos são intensos e, diversas cenas, emocionantes, especialmente quando envolvem Richard se relacionando com a família. Além disso, para os apreciadores do tênis, o filme também é um prato cheio. As partidas, explicações de conceitos táticos e os treinos são momentos ótimos de se assistir.


Portanto, King Richard: Criando Campeãs apresenta uma história extremamente envolvente do começo ao fim. Não é à toa que as mais de 2 horas e 20 minutos passam voando. Will Smith entrega uma de suas melhores performances da carreira, em um personagem riquíssimo em desenvolvimento. Ainda falta chão para Reinaldo Marcus Green se firmar como um bom diretor, mas esse longa-metragem pode fazer sua carreira dar a guinada que merece.


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