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  • Matheus Mans

Crítica: 'La Taza Rota' é boa estreia de Esteban Cabezas na direção


Se tem uma seleção que me fascina dentro da Mostra Internacional de Cinema é a de novos diretores. É nela que conhecemos novas vozes originais, novas linguagens, novas ousadias tanto visuais quanto narrativas. E, por isso, é uma boa surpresa o longa-metragem chilena La Taza Rota (ou A Taça Quebrada, na tradução da Mostra), dirigido pelo estreante Esteban Cabezas.


A história é bem simples. Logo de cara, conhecemos a rotina de uma família: tem a mãe (María Jesús González), o padrasto (Moisés Angulo) e o filho. Uma rotina normal, até mesmo banal, que é interrompida pela chegada de Rodrigo (Juan Pablo Miranda). Ex-marido e pai do menino, ele quer entrar na casa, ver o filho e, quem sabe, de alguma forma, recuperar o espaço que perdeu.


A partir daí, tal qual um Parasita mais simples e bem menos engenhoso, vemos esse personagem tão detestável -- ainda que, em alguns momentos, digno de pena -- tentando tomar de volta o seu lugar como "homem da casa". Veste as roupas do atual marido da ex-esposa, sugere passar o dia com o filho e até mesmo se masturba no banheiro, marcando território.

São boas as ideias engendradas por Cabezas, que tem controle da narrativa e sabe como ir modulando esse personagem tão complexo. No entanto, a inexperiência do cineasta não deixa de transparecer em vários momentos: é o recurso visual da tela que é abandonado após o primeiro ato, situações inverossímeis que quebram a naturalidade, atores nem tão afinados.


La Taza Quebrada nunca deixa de ser um filme de estreia. Suas fragilidades estão expostas. Mas, ainda assim, não é um filme ruim -- longe disso. Cabezas sabe brincar com sentimentos e se aprofundar nessa história de um homem tentando tomar seu lugar, tratando a mulher como uma propriedade particular. Claro: uma mulher dirigiria melhor a história, mas é o que temos.


A boa atuação de Juan Pablo Miranda ajuda a dar a densidade que o cineasta perde em momentos-chave, principalmente quando o protagonista precisa ter uma dualidade em sua personalidade que o ator sabe criar tão bem em cena. No final, o misto de emoções é palpável. E Cabezas, apesar de não acertar em tudo, merece um espaço na lista de "para ficar de olho".


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