• Matheus Mans

Crítica: 'Lá Vêm os Pais', da Netflix, é bobagem convencional que diverte


Filmes de comédia ancorados em reuniões familiares não são uma novidade no mundo do cinema. Pode-se citar, apenas pra começar, a trilogia Entrando Numa Fria, o esquecido Meet the Parents e o clássico O Pai da Noiva. E agora, Adam Sandler (Os Meyerowitz) chega com uma produção que vai no mesmo caminho: é a comédia pastelão Lá Vêm os Pais, filme original da Netflix que celebra a quinta parceria entre o comediante americano e o serviço de streaming.

A história tem uma premissa simples: dois jovens estão se casando e a cerimônia de união precisa ser organizada. Quem fica a cargo dos preparativos é o pai da noiva (Sandler), que mora em Long Island e não tem uma vida muito confortável -- a casa é pequena, a família é grande demais e o dinheiro está curto. Mesmo assim, ele recusa qualquer ajuda financeira ou organizacional do rico pai do noivo, interpretado pelo comediante Chris Rock (de Sandy Wexler).

A partir daí, o diretor e roteirista Robert Smigel (que escreveu Cada um Tem a Gêmea que Merece) divide o filme em três partes: a reunião da família, quando os parentes dos dois lados da equação começam a chegar; a tentativa de realizar os preparativos enquanto o personagem de Sandler precisa lidar com a avalanche de problemas; e, enfim, a tentativa final de realizar o casamento. Tudo dividido em dias, ao longo de uma semana inteira antes do casório.

Cada uma dessas partes, então, funciona de uma maneira em tela. A primeira não faz gargalhar, mas diverte. É curioso como Robert Smigel retratou os diferentes tipos presentes nessas ocasiões: a melhor amiga que se acha mais importante do que a noiva, os parentes que surgem do nada, o vizinho que é apaixonado pela noiva; o primo folgado; as tias-avós fofoqueiras. É uma explosão de clichês que funcionam quando colocados juntos em cena. É divertido.

No entanto, a coisa atinge um bom patamar quando chega no momento que Sandler tenta preparar o casamento ao mesmo tempo que precisa lidar com as dezenas de parentes alocados em sua casa em Long Island -- cidade metropolitana que fica a uma hora e pouco de Manhattan. Ainda que o roteiro de Smigel e do próprio Sandler exagere em alguns pontos, deixando o "politicamente incorreto" ao extremo, a maioria das piadas encaixa e faz rir.

A sacada dos dois amigos passando na rua e as situações envolvendo o tio sem pernas são sacadas ótimas, assim como as contínuas piadas envolvendo o hotel caindo aos pedaços, onde será a festa.

Além disso, Sandler aparece inspirado. Ainda que seu personagem pareça uma mistura do judeu atrapalhado de Meyerowitz com a voz infantil e aguda de Little Nicky, a atuação está na medida para o pai que não sabe como fazer a festa da filha. Chris Rock está apático como há tempos não se via e quase não protagoniza bons momentos. Uma pena. Steve Buscemi (Grande Lebowski), Scott Cohen (Plano de Fuga) e Jim Barone contam com alguns bons momentos, divertindo.

O problema é que o filme, na realização do casamento, perde o tom e os acertos nas piadas vão minguando. A mistura de drama familiar com um certo romance também fica artificial, assim como a conclusão de alguns personagens -- a do vizinho apaixonado e a do personagem de Buscemi são risíveis. Lá Vêm os Pais, então, é uma outra bobagem de Sandler e da Netflix que diverte até sua metade, mas que depois vai perdendo fôlego e revelando suas fragilidades. Mas se quiser passar um tempo e rir um pouco, é uma boa pedida.

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