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  • Matheus Mans

Crítica: 'Lamb' é filme que não consegue atingir sua plenitude


Certo dia, o casal Maria (Noomi Rapace) e Ingvar (Hilmir Snær Guðnason) vão fazer o parto de uma ovelha na fazenda em que vivem na Islândia. No entanto, ao contrário do esperado, não nasce um um carneirinho convencional. Nasce, na verdade, uma mistura. Metade humano, outra metade carneiro. Essa é a premissa inicial de Lamb, na 45ª Mostra Internacional de Cinema.


Dirigido pelo estreante Valdimar Jóhannsson e produzido por Béla Tarr, o longa-metragem vindo da Islândia parte dessa premissa, principalmente, para criar clima. Ambientação. Afinal, o longo dos 106 minutos de duração, Lamb vai nos colocando na rotina da vida de Maria, Ingvar, a criança-carneiro e, ainda, Pétur (Björn Hlynur Haraldsson), o irmão que surge na rotina familiar.


A partir daí, vamos tentando desafiar a estranheza. O que é essa mistura de criança com carneiro? Qual o significado? O que aconteceu na vida de Maria e Ingvar para aceitarem aquela criatura como filho? E o que Pétur tem a ver com a dor, o sofrimento vivido por Maria? Aos poucos, Jóhannsson vai nos colocando nesse mosaico familiar com respostas e silêncios.

Afinal, nem tudo é respondido em Lamb. Há muitos símbolos, muitos silêncios, muitas intensões. É essa tentativa do cineasta em criar ambientação, mas sem focar exatamente na história. E conforme as coisas vão ficando pra trás, vai ficando a dúvida: o que exatamente esse longa-metragem quer nos contar? Não é um drama sobre maternidade, não é terror, não é fantasia.


Jóhannsson parece que fica com medo de abraçar o terror de vez. Tenta criar um drama artsy que não diz nada. Pior: quando surge o terror e a fantasia, dá vontade de rir. Lamb derrapa em suas intenções. Fica aquela sensação terrível de oportunidade perdida em que nada para realmente de pé. Daria um ótimo terror, poderia ser uma fantasia ótima como Border. Mas não.


Lamb é um filme cheio de potencial, mas que não consegue encaixar nenhum dos sentimentos necessários para atingir tais potenciais. Não dá medo, não causa tensão, não encanta, não emociona. É um filme vazio. Pelo menos seu final tem um sopro de originalidade potente e fica, ainda que um gosto amargo, a sensação de tudo que Lamb nos sugere, mas não é.


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