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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Lift: Roubo nas Alturas', da Netflix, é mais um filme genérico de assalto



A sensação que eu tenho é de que todo ano temos um filme de assalto genérico -- um roubo impossível, uma equipe disfuncional, parcerias inesperadas. Só pra falar de produções recentes nesse estilo, temos Alerta Vermelho, Esquadrão 6, Army of the Dead. Agora, mais um chega para engordar ainda mais a lista: Lift: Roubo nas Alturas, estreia da Netflix nesta sexta-feira, 12.


Dirigido pelo instável F. Gary Gray (Uma Saída de Mestre, MIB: Homens de Preto - Internacional), o longa-metragem acompanha uma quadrilha especializada em roubar obras de arte. O líder é Cyrus (Kevin Hart), mas todos os outros integrantes (Vincent D'Onofrio, Úrsula Corberó, Billy Magnussen) são importantes na equação. São roubos cinematográficos e bem orquestrados.


A coisa muda de figura, porém, quando Cyrus e sua equipe são chamados, pela ex-namorada e agente especial Abby (Gugu Mbatha-Raw), para participar de um roubo extraordinário e que deverá afetar outro magnata do crime (Jean Reno, em uma participação sem graça). O problema é que será um roubo aéreo, já que o objetivo do furto, várias barras de ouro, está em um avião.


O filme, assim, conta praticamente com duas metades bem distintas. Na primeira parte, que passa de uma hora de duração, o roteiro de Daniel Kunka (12 Rounds) nos apresenta essa equipe, mostra como é a dinâmica desse grupo, como eles praticam roubos e tenta estabelecer a personalidade de cada um deles. É a apresentação e preparação do que vem a seguir.



Depois, na segunda metade, embarcamos na finalização do projeto para o roubo do avião e, é claro, o roubo em si. Obviamente, por se tratar de um filme muito ancorado na grandiosidade de seus atos, as cenas de ação são boas -- ainda que a grandiosidade exagerada de alguns momentos tire bastante o peso dramático que essas sequências poderia colocar no filme.


Lift: Roubo nas Alturas, assim, se assume como um filme de streaming qualquer. Em momento algum tenta se diferenciar ou mostrar algo que o coloque à frente desses outros filmes já citados e bem similares. Kevin Hart, por exemplo, é desperdiçado em um papel que não usa, de forma alguma, suas habilidades como comediante. Qualquer um poderia fazer esse papel.


O resto do elenco, bastante diverso, inclusive em questão de nacionalidade, também acaba sem qualquer destaque -- Úrsula Corberó, a Tóquio de La Casa de Papel, é deixada de lado sem qualquer glamour; Vincent D'Onofrio até que diverte, mas sua fisicalidade impressionante também não é aproveitada. Parece que Gary Gray não soube se adaptar ao seu ótimo elenco.


Assim, Lift: Roubo nas Alturas é mais do mesmo. Não surpreende, não usa o elenco à favor da história, não traz cenas marcantes. Pelo contrário: por nunca buscar caminhos novos e criativos, se torna cansativo, chato, batido. A sensação é de que todo ano temos o mesmo filme sendo refeito, com um novo elenco e apenas um ambiente diferente. Chega. Já cansei.


 



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