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  • Matheus Mans

Crítica: 'Lightyear' mostra que Pixar precisa se reinventar


Foi com surpresa que, no final de 2020, a Disney Pixar anunciou que produziria um filme sobre Buzz Lightyear. Não o brinquedo, mas o personagem que protagoniza o filme que fez o garotinho Andy se apaixonar. Uma ideia boa, ainda que um tanto quanto limitante, que poderia mostrar certa ousadia do estúdio, em uma ficção científica de animação que foge dos padrões. Mas não deu certo: Lightyear, que estreia na quinta-feira, 16, é o ápice da falta de criatividade da Disney.


Dirigido Angus MacLane, que também assinou a direção de Procurando Dory, o longa-metragem conta a história de Buzz (Chris Evans, não mais Tim Allen), um patrulheiro espacial que bate a aeronave que está pilotando e, junto com a colega Alisha Hawthorne e vários outros tripulantes, fica preso em planeta ermo. É aí que começa a graça do filme, com Buzz tentando desesperadamente encontrar combustível para tirar toda a patrulha espacial e voltar pra casa.


Visualmente, Lightyear está encantador. Há um claro cuidado na criação desse universo, com um traje convincente e criação de textura que deixa tudo mais próximo da realidade, apesar dos traços exagerados do personagem protagonista. Além disso, as claríssimas referências de Star Wars ajudam a engrandecer o visual espacial do longa-metragem que, como Wall-E, tem essa complicada missão, repleta de vários desafios, de fazer ficção científica com animação digital.

O problema está mesmo na história, assinada por Angus e Jason Headley. Ainda que o começo seja gracioso, principalmente na interação entre Buzz e o gato Sox, além da boa introdução de um casal LGBTQIA+ dentro do universo da Disney, os acertos não passam disso. A trama é batida, envolvendo uma aventura espacial sem qualquer graciosidade. Tudo ali é muito genérico e maçante, com elementos e histórias que já foram usados largamente em outros filmes.


As coisas pioram ainda mais quando chegam três personagens coadjuvantes que faz parceria com Buzz. Enquanto a química entre ele e Sox funcionava, nada sai realmente do lugar com a chegada desse trio. Lightyear perde em charme e inteligência ao apostar em personagens que estão errando a todo momento e que não acrescentam absolutamente nada dentro da história que está sendo contada. Fazem o filme patinar, ficar estático no lugar, sem ritmo consistente.


Além disso, a diversão, que era o que estava funcionando com o gato-robô Sox, some quando o roteiro aposta em uma única piada para cada um dos três coadjuvantes -- a idosa ladra, a jovem ingênua com medo do espaço e o cara exageradamente atrapalhado (e chato!) que não para de falar da caneta. Não dá. Parece que a Pixar não sabe desenvolver personagens, não sabe contar histórias. Fica parecendo personagem de uma série animada feita por estúdios sem experiência.


Lightyear não é totalmente ruim. Tem seus momentos de graça aqui e acolá, mas falha ao criar uma jornada empolgante ou minimamente ousada como foram os filmes de Toy Story. Não é criativo, não é ousado, não é divertido. É só a Pixar perdida em um universo que exigem muito do estúdio, mas pouco entregam. Apesar da expectativa, é um filme que fica entre Carros 3 e Coco em qualidade. E torna difícil a tarefa de acreditar que Andy gostou tanto assim da história.

 

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