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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Lima Barreto, ao Terceiro Dia' celebra escritor e sua obra


Apesar de ter ouvido algumas duras críticas ao longa-metragem Lima Barreto, ao Terceiro Dia, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 29, fiquei surpreso com a boa qualidade da produção. Afinal, ainda que teatral demais em alguns pontos, o filme celebra esse escritor que parece estar sempre à sombra, apesar de ser a mente por trás de um dos maiores romances do País.


Para celebrar e se aprofundar nessa figura, o longa-metragem traz três momentos. Primeiro tem o real, onde Lima conversa com um doente mental que divide com ele o quarto no hospital; o passado, o qual ele relembra diversas vezes o período que era jovem e escrevia O Triste Fim de Policarpo Quaresma, e, por fim, o momento da ficção, onde os personagens deste mesmo romance ganham vida e são mostrados em cena de uma forma curiosa, fantasiosa e caricata.


No todo, essa mistura de diferentes momentos funciona bem na tela. Dá pra compreender bem sobre o que Lima pensava e, acima de tudo, como era tratado e visto pelos outros. Tudo é evidenciado pela ótima atuação de Luís Miranda, intérprete do escritor em seus últimos três dias de vida no hospital psiquiátrico. Ele leva força para o filme em um trabalho inusitado da carreira.

É evidente que há um trabalho apurado de roteiro, assim como uma direção de arte que ajuda o público a embarcar na ideia do filme -- o quatro de Lima no hospital é magnífico. Não à toa, Lima Barreto, ao Terceiro Dia ganhou no Cine PE 2021, festival de cinema realizado em Recife, o prêmio de Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. São, junto com Miranda, os pontos altos.


O grande problema aqui, e que rendeu as críticas mais ácidas, está na direção sem muita vida de Luís Antônio Pilar. Além de puxar uma atuação mais robótica de parte do elenco, que não se solta em cena, o cineasta parece não pensar muito na história para além de sua origem como uma peça de teatro. É como se ele estivesse filmando tudo em um pequeno palco. Falta vida.


Um pouco mais de ousadia com a câmera, por exemplo, poderia ter deixado o longa-metragem mais dinâmico e original. Do jeito que ficou, a sensação é de que tudo é muito quadrado. Ainda assim, Lima Barreto, ao Terceiro Dia tem seus louros, principalmente no trabalho de resgatar a figura de Barreto, esse escritor que merecia ser mais celebrado, relembrado e comemorado.

 

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