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  • Matheus Mans

Crítica: 'Live Is Life', da Netflix, é uma história chata de nostalgia vazia


É interessante como Stranger Things abriu uma porteira, lá em 2016, de colocar uma nostalgia barata no audiovisual -- são sempre crianças andando de bicicleta, por aí, enfrentando perigos do mundo real ou da fantasia. It: A Coisa talvez seja o caso mais célebre, mas há outros casos. E o mais recente é Live is Life, longa-metragem espanhol que chegou à Netflix nesta terça, 19.


Dirigido por Dani de la Torre (El Desconocido), o filme conta a história de um grupo de cinco amigas passam um último verão juntos, durante as férias escolares, antes de começarem a enfrentar a vida adulta. No caminho da jornada, estão os valentões daquela região, típicos no retrato desse tipo de adolescente, e o câncer -- afinal, um dos jovens enfrenta a doença.


Live is Life, assim, assume um tom familiar rapidamente. As bicicletas estão lá, a ambientação dos anos 1980 também. Apesar da lembrança imediata de Stranger Things, é impossível não perceber que o longa-metragem espanhol tenta ser desesperadamente um Conte Comigo 2.0. Há essa vida adulta se avizinhando, com acontecimentos que forçam isso a todo o momento.


Nisso, o roteiro de Albert Espinosa vai forçando uma nostalgia que não existe, trazendo a todo o momento os elementos que remetem à nostalgia. A história com isso vai se tornando chatíssima, com esse desejo em ser uma nostalgia orgânica, mas que não passa de um amontoado de clichês banais desse tipo de história que não ganham fôlego, tampouco interesse.


No final, a história em si, confusa e um pouco atropelada, acaba sendo afogada por essa ânsia em ser nostálgica e emocionante. Essa preocupação em criar esses sentimentos vem antes da importância de se contar uma boa história. E esse é o erro principal de Live is Life. Aqui fica a previsão: todo mundo que assistir a esse filme, vai esquecê-lo em duas ou três semanas.

 

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