• Matheus Mans

Crítica: 'Lost Girls: Os Crimes em Long Island' é filme morno da Netflix


Mari Gilbert (Amy Ryan) está aguardando sua filha mais velha para jantar. A casa está arrumada, as irmãs Sherre (Thomasin McKenzie) e Sarra (Oona Laurence) estão avisadas e a mesa está posta. No entanto, Shannan não aparece. Nem naquela noite, nem no dia seguinte, nem no outro. Ela, que estava trabalhando como prostituta em Long Island, está oficialmente desaparecida.


A partir daí, Mari -- repetindo a jornada vista recentemente em Três Anúncios para um Crime -- começa a buscar pistas sobre o desaparecimento de sua filha e a confrontar a fraca polícia local.


Esta é a história de Lost Girls: Os Crimes em Long Island, nova produção original da Netflix que, após passar por Sundance, chegou ao catálogo mundial do serviço de streaming nesta sexta-feira, 13. Dirigido pela talentosa Liz Garbus (What Happened, Miss Simone?), que faz sua estreia fora do mundo dos documentários, o filme transpira qualidade técnica desde o primeiro frame.


A câmera é sempre inteligentemente posicionada, fazendo com que um simples entortar da câmera passe mensagens e sensações para a audiência. A fotografia de Igor Martinovic (House of Cards), pálida, escura e acinzentada, ajuda a criar a ambientação ao redor daquela mãe desesperada por notícias de sua filha. Há um desalento sentido a cada cena, diálogo, gesto.

Falando nisso, é de se destacar a atuação poderosa de Amy Ryan (Medo da Verdade). Apesar de não chegar perto do trabalho de Frances McDormand em Três Anúncios para um Crime, ela conta com poder emocional em camadas. Impressiona. Enquanto isso, McKenzie (Jojo Rabbit) e Laurence (Meu Amigo, o Dragão) são completamente escanteadas no roteiro de Michael Werwie.


E é o roteiro o grande problema de Lost Girls. Linear demais, sem grandes momentos, ele acaba apostando apenas na força da história para levar a produção adiante. Até certo momento funciona, mas o filme acaba estagnando e se tornando morno demais. Afinal, por mais que a dor daquela protagonista seja palpável, é natural que perca força. A esperança e força dela somem.


Com isso, o ritmo do filme esfria e tudo se torna cansativo. Os pontos técnicos positivos, destacados anteriormente, acabam atirando no vazio. Os movimentos e ângulos de câmera se repetem, a fotografia intensifica a sensação de ritmo morno. O longa-metragem fica preso a partir de sua metade até os dois minutos finais, quando uma informação desaba a história.


Ainda assim, apesar dessa segunda metade pouco intensa, pode-se dizer que Lost Girls: Os Crimes em Long Island é emocional, forte, potente. Traz uma história real tristíssima e de meandros dolorosos. Quantas mães já não passaram por isso? Quantas mulheres não se viram sozinhas na luta por suas famílias? É real, é verdadeiro. Pena que termina tão anticlimático.

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