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  • Matheus Mans

Crítica: 'Lua Azul' sugere muito, mas entrega pouco


Um dos filmes mais aguardados da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Lua Azul é um filme que depende quase que exclusivamente da ambientação. Afinal, o longa-metragem romeno dirigido e roteirizado pela estreante Alina Grigore não diz muito: começa mostrando uma família caótica, aparentemente disfuncional, e que parece que muita cosa não se encaixa.


Afinal, a família toda é muito próxima. Primos, irmãos, pais, tios. Todos vivem próximos na zona rural da Romênia. Além disso, há um claro desconforto, principalmente entre as irmãs Irina (Ioana Chitu) e Viki (Ioana Ilinca Neacsu). Fora uma clareza relacionada ao sexo -- tudo ali parece libertário demais, aberto demais. É estranho. O espectador, jogado nisso, fica rendido, entregue.


E Grigore sabe como conduzir e montar essa ambientação tão necessária. Com uma câmera na mão quase que o tempo todo, com imagens exageradamente tremidas, vamos acompanhando como as relações são construídas nesse local, como se dá a conversa, o toque, os olhares. É um bom trabalho, talvez o principal destaque dessa diretora que acaba de se tornar diretora.

Mas os bons pontos param por aí. Com essa naturalidade necessária para a história se firmar, lembrando inclusive o interessante As I Heaven, também na programação oficial, é preciso ter atuações que acompanhem. Apesar do esforço desmedido de Chitu, o resto do elenco é artificial demais. Alguns momentos estão ensaiados demais -- apesar de ter diálogos improvisados.


Fica estranho. Além disso, não dá para entender muito bem o que a cineasta e roteirista quer falar com essa história familiar tão estranha e disfuncional. Tirando a última cena, que mostra a dificuldade de sair de relações abusivas, o restante diz pouco. Parece que é o choque pelo choque apenas. Faltou cuidado na hora de desenvolver melhor esse roteiro tão complicado.


Enfim: Lua Azul estava cercado de expectativas, mas não funcionou. É um filme com uma ambientação praticamente impecável, mas que falha quando precisa ir pro vale-tudo do cinema: as atuações, o roteiro coeso, algo a ser contado. No final, fica apenas a oportunidade de marcar o nome de Alina Grigore em um caderninho e, quem sabe, no futuro, vermos mais de seus filmes.


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