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  • Matheus Mans

Crítica: 'Luca' tem mensagem mais marcante do que a animação em si


Não importa o que achou do filme. Luca é um marco histórico na animação. Afinal, ainda que tenha acrescentado algumas tintas coloridas na história de infância do cineasta Enrico Casarosa, o longa-metragem é a primeira história verdadeiramente LGBTQIA+ da Disney e, mais especificamente, da Pixar. Um filme que não esconde, com razão, a sexualidade do personagem.


Na trama, acompanhamos Luca (Jacob Tremblay), um monstro marinho que é desencorajado pelos pais a conhecer a superfície -- e, logo, a assumir a forma de ser humano. No entanto, quando ele faz uma forte amizade com Alberto (Jack Dylan Grazer) no mundo real, bem ali na costa litorânea italiana, as coisas mudam de figura. Luca vê sua vida, enfim, se transformar.


No entanto, aí entram três elementos. Primeiramente, há a questão de fugir o tempo todos dos seus pais. Ele precisa se dividir entre o fundo do mar, como essa criatura marinha, e a vida na superfície. Além disso, há o sonho de Luca e Alberto em comprar uma vespa -- aquela clássica moto italiana. Para comprá-la, eles se unem à humana Giulia (Emma Berman) em um concurso.


Por fim, há a necessidade de esconder a origem de Luca e Alberto. Numa cidade pesqueira, e que persegue monstros marinhos, eles precisam se manter camuflados naquela rotina.

A história, em si, é bonitinha. Simpática. A aventura de Luca, Alberto e Giulia tem certa empolgação -- o preparo para o concurso (espécie de triatlo) e o fortalecimento dos vínculos são pontos positivos. Além disso, os personagens são encantadores. Sejam eles os protagonistas ou coadjuvantes, como os pais, o pai da Giulia, o Tio Ugo, o peixinho Giuseppe ou as Nonnas.


No entanto, o filme em si perde um pouco de força lá pro final. A conclusão é corrida demais, a mudança de comportamento da cidade em si é brusca e algumas coisas são mal resolvidas. Enquanto isso, a metade da história é um pouco arrastada, quando Giulia, Luca e Alberto estão treinando para o concurso enquanto também vão entendendo mais suas vidas e preferências.


O ponto alto, assim, acaba sendo a amizade de Luca e Alberto. Numa mistura sincera de A Forma da Água, Me Chame Pelo Seu Nome e A Pequena Sereia, o longa-metragem assume a mensagem sem medo. Como deve ser. Se assumir como uma "criatura marinha", ser aceito por família e amigos, aceitação na comunidade, preconceito. Tudo isso é muito claro na narrativa.


É potente e emocionante a conclusão de Luca, num momento de explosão emocional. Os personagens podem até não seguir pelo caminho esperado desde o início, mas estão transformados. Estão com uma nova experiência. Estão diferentes de quando saíram de dentro da água. Que filme bonito é Luca. Tomara que a Disney tome isso como natural a partir de agora.

#Crítica #Filme #Cinema

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