• Bárbara Zago

Crítica: 'Maligno' é filme de terror fraco, mas que assusta


Dentro do universo do terror, muitos diretores gostam de apostar em filmes com protagonistas mirins, como é o caso de A Órfã, A Profecia e Babadook. A simples presença de uma criança perturbada já é aterrorizante por si só -- ainda mais por muitas vezes não sermos capazes de compreendê-las totalmente. Novo longa-metragem de Nicholas McCarthy (Pesadelos do Passado), Maligno faz muito mais sentido quando apresentado em seu título original, The Prodigy (O Prodígio, em inglês). Afinal, o que de início era motivo de orgulho para os pais, a inteligência de Miles Blume (Jackson Robert Scott) parece tomar outro rumo e fazendo com que o garoto desenvolva um comportamento violento.

Nos primeiros minutos, o espectador pode perceber que o nascimento de Miles se dá no exato momento da morte de um assassino. O que poderia ser um grande plot twist no final é entregue no começo e deixa pouco espaço para especulação. Seria um elemento de sua personalidade? Seriam sintomas de um transtorno mental? Infelizmente, em pouco tempo o filme já responde de forma quase gritante que não. Maligno poderia facilmente se inspirar em Hereditário, porém prefere manter um tom muito didático.

Como de costume, quem mais sofre com os estranhos traços de Miles é sua família, principalmente sua mãe, Sarah, interpretada por Taylor Schiling. O pai possui pouquíssimo desenvolvimento e importância, servindo apenas para sobrecarregar a esposa ao dizer que não se sente seguro na casa com o filho. Já a atriz de Orange is the New Black tem um papel tão crucial quanto Scott, porém guardou sua boa atuação para a série, apresentando uma performance mediana que, por vezes, não é suficiente para convencer o público.

Maligno se inspira em filmes de possessão como O Exorcista e mostra o garoto falando um outro idioma -- que no caso é um dialeto húngaro bastante específico. Outros clichês funcionam bem aqui, como é o caso do cachorro latindo para o nada e uma canção que o protagonista fica assustadoramente repetindo. Mesmo assim, não possui recursos para se destacar e acaba por tornar-se praticamente esquecível.

Para os fãs do gênero, Maligno não é um grande filme, mas também não decepciona como A Maldição da Casa Winchester e Cadáver. Scott, que teve pouco espaço em It: A Coisa, sustenta boa parte do filme e entrega o que lhe é possível para um ator tão jovem. O final, no entanto, é o que pode definir a opinião sobre o longa; no meu caso, fez o filme perder muitos pontos. Porém, ainda é superior à outros de sua categoria e consegue assustar com alguns jumpscares.

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