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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Mansão Mal-Assombrada' é filme que não diverte, nem emociona


O filme Mansão Mal-Assombrada, de 2003, está longe de ser perfeito. Sequer de ser bom. Afinal, o longa-metragem estrelado por Eddie Murphy não tem uma história criativa ou instigante, ficando no lugar-comum. O que funciona mesmo são momentos de comédia do ator, sempre um tanto acima do tom. É um filme que funciona mais pela memória afetiva do que por sua qualidade. No entanto, mesmo assim, o novo Mansão Mal-Assombrada consegue ser ainda pior.


Estreia desta quinta-feira, 27 de julho, o longa é um remake do filme estrelado por Murphy nos anos 2000, como também é uma nova tentativa de emplacar um novo sucesso nos cinemas inspirado em uma atração dos parques da Disney. Assim como Piratas do Caribe, Dinossauro, Beary e os Ursos Caipiras e Tomorrowland, Mansão Mal-Assombrada tem sua história totalmente inspirada na atração do parque, uma das mais disputadas do parque Magic Kingdom.


Nesta nova aposta da Disney, dirigida por Justin Simien (da interessante série da Netflix, Cara Gente Branca), o tom da história muda bastante. Sai a comédia histriônica de Murphy, que fez sucesso principalmente entre as crianças no longa de 2003, e entra uma sopa de gêneros com cara de superprodução. Há traços de comédia, terror, aventura e até thriller – tudo isso engrandecido com um orçamento consideravelmente alto de mais de US$ 150 milhões.


Enquanto isso, a história continua com o mesmo pano de fundo: uma mansão mal-assombrada habitada por 999 fantasmas que esperam enquanto um deles, Gracey, tenta recuperar o amor de sua vida. No entanto, os personagens são totalmente diferentes. O protagonista é Ben (LaKeith Stanfield), um homem que se diz especialista em paranormalidade que é chamado para ajudar a família que acabou de se mudar pra mansão e, quem sabe, afastar os fantasmas.

Ainda tem um elenco de apoio de peso e bem diverso: Jamie Lee Curtis como Madame Leota, a vidente presa na bola de cristal; Jared Leto como o fantasma mais perigoso dentro da casa; Owen Wilson como Kent, um estranho padre que convoca Ben; e, ainda, Danny DeVito como Ben, um professor universitário que estuda as várias mansões mal-assombradas de New Orleans.


O filme até pode parecer interessante em um primeiro momento, mas fica longe disso por uma série de problemas que vão complicando o filme. Para começar, Simien não tem a mínima ideia de como contar uma história infantil: exagera no horror e a comédia, que funciona no de 2003, some aqui. Muito disso acontece por uma atuação exageradamente apática do improvável protagonista do filme, LaKeith Stanfield (Desculpe te Incomodar). Ainda que o roteiro invista em piadas para o personagem, ele não consegue acompanhar. Está apático em cena e parece que tem vergonha de fazer humor. É aquilo: nem todos os atores de drama sabem fazer rir.


Além disso, há o terror: Simien, que recentemente dirigiu o curioso Bad Hair, sabe como lidar com elementos do horror. Mas aqui fica a dúvida: será que não é demais para as crianças, o principal público desta história? Difícil escapar da sensação de que os pequenos vão se assustar demais enquanto os pais vão achar a história insuportável – afinal, não há nenhum tipo de escape aqui para o público mais velho, já que tudo é bobinho e previsível, sem nada funcional.


Este novo Mansão Mal-Assombrada, no final das contas, não poderia ser mais insosso. Não acerta no horror, na comédia, nem na aventura. Arrisca aprofundar alguns personagens, mas nunca passa de um arranhão na superfície (alguém se emocionou com a história do Ben?). E o filme de 2003, mesmo não sendo bom, pelo menos consegue fazer rir com alguns exageros de Eddie Murphy, com suas caras, bocas e aquele humor exageradíssimo. Outro fiasco por aí?

 

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