• Matheus Mans

Crítica: 'Megatubarão' é besteirol que tenta ser divertido, mas não consegue


Steven Spielberg conseguiu criar uma obra histórica. Tubarão, de 1975, não só trouxe novos paradigmas ao cinema de suspense e entretenimento, como também ajudou a exponenciar uma mitologia aterrorizante ao redor da criatura marinha que dá nome ao longa. Desde então, dezenas de títulos tentaram repetir o feito de Spielberg, como os recentes Águas Rasas e Medo Profundo e até o besteirol Sharknado. Nada deu muito certo.

Agora, chega aos cinemas mais uma aposta na aterrorizante criatura marinha: Megatubarão. Produzido pela Warner e dirigido pelo mediano Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido e Última Viagem a Vegas), o longa-metragem mostra uma empresa de exploração submarina que encontra o local mais fundo do planeta Terra. Lá, além de criaturas abissais, a companhia também se depara com um tubarão gigante. O megalodonte.

A partir daí, o especialista subaquático Jonas Taylor (Jason Statham) precisa encontrar um meio de impedir a tal criatura de causar um mal ainda maior. Para isso, ele conta com a ajuda de Suyin (Bingbing Li), Mac (Cliff Curtis), The Wall (Ólafur Darri Ólafsson), DJ (Page Kennedy), Dr. Heller (Robert Taylor), Jaxx (Ruby Rose), Dr. Minway Zhang (Winston Chao) e do chefe Jack Morris (Rainn Wilson). Todos, obviamente, extremamente estereotipados.

O longa-metragem até surpreende com um começo tenso, extremamente equilibrado e bonito visualmente. É o momento em que uma equipe de exploração está entrando pela primeira vez na zona mais profunda dos Oceanos. O espectador se surpreende com toda a variedade de criaturas marinhas ali representadas, dando inveja no pôster de Aquaman. É bonito de ver e levanta a expectativa, já que tensão e beleza casam bem na tela.

Só que, logo depois, a coisa sai dos trilhos e não volta aos prumos. Afinal, para resgatar o tal grupo, é chamado o personagem de Statham (Velozes e Furiosos) e tudo passa a se concentrar na figura do ator irlandês, que não conta com o mesmo carisma de outros atores de sua estirpe, como Dwayne Johnson, Stallone e por aí vai. Ele é muito quadrado e não consegue emprestar simpatia e entusiasmo ao personagem e, claro, à história.

Para tentar arrumar isso, o roteiro de Dean Georgaris (Sob o Domínio do Mal), Jon Hoeber (RED) e Erich Hoeber (Battleship: A Batalha dos Mares) faz um malabarismo sem muito sentido e passa a dar mais importância narrativa aos ajudantes de Statham. A que mais recebe atenção é a personagem de Bingbing Li, que tem a artificialidade de uma nota de R$ 3. Do grupo, só Ólafur Darri Ólafsson, Winston Chao e Page Kennedy se saem bem. E olhe lá.

E desse jeito, sem ter um bom personagem humano para atrair a atenção, o espectador acaba voltando seus olhos para a criatura marinha, procurando um meio de se divertir ou de se aterrorizar. E nada disso acontece. Ela é bem feita, com uma boa criação digital, mas coisas mais impressionantes foram vistas por aí. Faltou brincar mais com a vastidão do oceano, o medo do que aguarda no escuro das águas marítimas e por aí vai.

Escapes românticos -- a relação entre Statham e Bingbing é uma das coisas mais sem graça do cinema recente -- e piadinhas esparsas tentam elevar o tom, mas não conseguem. Só derrubam ainda mais a qualidade geral da obra de Jon Turteltaub.

Desse jeito, Megatubarão não é uma comédia do absurdo como Sharknado, que diverte e faz rir, nem emprega a tensão angustiante de Tubarão. É um meio termo sem sal, que fica refém em um elenco pouco criativo, pouco explorado narrativamente e sem muito espaço para brincar e se divertir. Megatubarão é um filme que poderia ser um dos melhores escapes cômicos do ano, dando leveza ao cinema. Mas não. Ficou sério e sem graça.

#Filme #Cinema #Crítica #Ação