• Matheus Mans

Crítica: 'Mentes Perigosas', da Netflix, é suspense repleto de furos de roteiro


A Netflix tem um gosto especial em fazer suspenses ruins. Foi assim com Vende-se Esta Casa, mais recentemente com No Limite da Traição e, agora, com o fraquíssimo Mentiras Perigosas. Dirigido por Michael Scott (especialista em filmes de TV), o longa tenta surpreender e criar uma aura fascinante. Mas, no final, restam ali apenas dúvidas e uma boa dose de vergonha alheia.


Na trama, a jovem Katie (Camila Mendes) decide mudar de vida após a lanchonete em que trabalhava ser assaltada. Assim, vai cuidar de um idoso solitário e que precisa de ajuda no dia a dia. As coisas mudam, porém, quando o tal idoso morre e Katie, juntamente com seu marido Adam (Jessie Usher), se tornam os principais suspeitos de um trama intrincada de crimes.


Rapidamente, percebe-se que o roteiro de David Golden (O Vigilante) é uma mistura de vários filmes recentes de sucesso. Na narrativa, é possível sentir um pouco de O Homem Invisível, Entre Facas e Segredos e até, veja só, Parasita. Assim, por mais que o roteirista não tenha se inspirado diretamente em nenhum desses filmes, percebe-se o tom genérico e amplo da trama.


É um suspense basicão, sem qualquer refinamento, que não conta com momentos memoráveis, grandes sacadas ou uma inspiração por parte de qualquer dos envolvidos. É arroz com feijão.


E até isso, sem problema algum. Vários suspenses apostaram no básico e se deram bem, como Casa de Vidro, A Última Casa da Rua e coisas do tipo. São bons divertimentos nas noites de finais de semana. No entanto, Mentes Perigosas conta com um problema grave: o roteiro conta com uma profusão de furos. Dos mais variados tipos e tamanhos, que enfraquecem a história.


São subtramas não resolvidas, outras não explicadas. Algumas situações são jogadas para que o púbico decida suas causas -- como a história do jardineiro. Outras são simplesmente descartadas, sem qualquer preocupação com a verossimilhança. Vale ressaltar, também, que Adam é um dos personagens mais imbecis do cinema em 2020. Faz tudo de errado. Irrita.


Mendes (de Riverdale) e Jessie T. Usher (The Boys) até se esforçam, mas seus personagens são vazios e sem vida. Não há muito, de fato, a ser aproveitado ali daquela relação e história.


No final, é impossível não ficar com dúvidas acerca de várias histórias, várias dúvidas. Oras, se o roteiro não sabe resolver suas próprias tramas, ela melhor nem ter criado! São complicações jogadas ao vazio. E é assim que Mentiras Perigosas serve apenas como entretenimento em um dia qualquer. Não é memorável, não é divertido, não faz sentido. É pra passar o tempo. E olhe lá.

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