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  • Matheus Mans

Crítica: ‘Mesa para Quatro’, da Netflix, é comédia romântica sem razão de ser


E se? E se eu tivesse ido para casa no dia que conheci minha esposa? E se não tivesse puxado conversa com aquele rapaz? E se tivesse só deixado para lá? É essa perguntinha, geralmente ligada à ficção científica especulativa, que norteia Mesa para Quatro, longa-metragem italiano e original da Netflix que chegou ao catálogo do serviço de streaming nesta quarta-feira, 5.


Dirigido por Alessio Maria Federici, e roteirizado por Martino Coli, o longa-metragem conta a história de quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, que vivem nessa realidade especulativa do filme. Afinal, o roteiro de Coli brinca com possibilidades: mostra como esses quatro se comportariam em diferentes configurações de casais e como se desenrolaria.


O grande problema de Mesa para Quatro é a falta de suas duas prerrogativas: comédia e romance. O filme italiano em momento algum é engraçado, assim como também peca no romance. Apesar da graça dessas mudanças nas configurações dos casais, ideia abandonada cedo demais, não sentimos empolgação por nenhum dos personagens. Não há torcida.


Com isso, o romance se torna algo apenas preso no mundo das ideias. Alessio Maria Federici não tem a sensibilidade necessária para trazer ao público a emoção necessária. Por outro lado, Martino Coli tampouco é Richard Linklater: apesar de algumas investidas em diálogos mais profundos, nada é realmente provocativo. Novamente: é um filme com boas intenções. E só.


No entanto, há um problema mais profundo: a visão do homem como figura central e essencial de um relacionamento. Em ambas as realidades, é o homem que determina como as coisas vão caminhar. Nas duas histórias de um deles, sempre há gravidez, como se a mulher não tivesse vontade própria nesse assunto. Parece algo que as comédias dos anos 80 fariam.


É bobagem pura e simples. Mesa para Quatro poderia ter brincado mais com as relações, com o destino, com essa coisa de acreditarmos que alguém foi feito para nós. Só que Alessio e Martino, do alto de uma masculinidade nunca questionada, apenas reproduzem bobagens e mais bobagens. Uma comédia romântica para se perder no meio do algoritmo da Netflix.


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