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  • Matheus Mans

Crítica: 'Meu Filho' é thriller disperso do Amazon Prime Video


Foi em 2021 que uma notícia chamou a atenção nos portais sobre cinema ao redor do mundo: o astro James McAvoy (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) estava gravando um filme sem roteiro, apenas com direcionamentos pontuais do diretor, sobre um pai em busca do filho desaparecido. Eis que agora, em 2022, este filme chega no Amazon Prime Video como Meu Filho.


Dirigido por Christian Carion, o longa-metragem é um remake de um filme homônimo do próprio diretor, de 2017. A trama é simples, sem complicações: McAvoy é Edmond, esse pai ausente, quase sem contato com o próprio filho, que se vê no meio de um possível sequestro. Ao seu lado, apenas Joan (Claire Foy), a ex-esposa que também está em busca do rapazinho desaparecido.


Roteiro assinado a quatro mãos por Carion e Laure Irrmann, Meu Filho tem na narrativa e no desenvolvimento da história seu maior problema. Essa proposta de deixar o ator solto na trama, sem um roteiro específico a ser seguido, é uma ideia perigosa -- no cinema contemporâneo, lembro apenas de Gaspar Noé, que escreve duas ou três páginas de roteiro, como bom exemplo.

Afinal, pode até funcionar a ideia de deixar a emoção real dos atores em cena, fazendo com que se surpreendam junto. Mas não dá pra colocar o desenvolvimento completo de uma história no ar: Meu Filho peca, justamente, por soluções exageradamente simplistas e um tom que parece banalizar demais uma história que tinha tudo para ter a complexidade de grandes thrillers.


Meu Filho, enquanto isso, faz com que o personagem de McAvoy descubra quase tudo da história já na segunda tentativa, encaixando o restante das peças de primeira. Pense em uma quebra-cabeça: não seria frustrante se todas as peças fizessem sentido logo de cara, sem qualquer desafio lógico? É exatamente isso que acontece no longa-metragem, que não tem sutileza.


McAvoy também parece não se soltar como deve em cena -- cá entre nós, nem dá para dizer que é uma atuação livre de roteiro. Tirando uns dois momentos de emoção, tudo igual ao de sempre. Claire Foy, uma atriz que se meteu em algumas enrascadas (Millennium: A Garota na Teia de Aranha) depois de The Crown, mostra novamente que é uma grande atriz sem um bom agente.


O que salva aqui são as belas paisagens da Escócia, ainda que ofuscadas por uma fotografia exageradamente escura em alguns momentos, e um arranhar de tensão que o roteiro e as atuações promovem bem na metade do filme, quando McAvoy começa a reparar nos primeiros sinais. De resto, um thriller esquecível, que mais dá sono do que realmente empolga.

 


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