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  • Matheus Mans

Crítica: 'Missão Resgate' é filme de ação genérico com Liam Neeson


É surpreendente como Liam Neeson conseguiu se manter firme, até seus atuais 69 anos, no cinema de ação. Desde Busca Implacável, quando vive um pai tentando salvar a filha, o astro britânico nunca mais largou o osso de filmes que falam sobre redenção, salvação, vingança e afins. E é justamente nesse terreno que trafegamos no mediano e divertido Missão Resgate.


Estreia dos cinemas da última quinta-feira, 2, o longa-metragem conta a história de um grupo de trabalhadores que fica preso dentro de uma caverna. A partir disso, o cineasta e roteirista Jonathan Hensleigh comanda a jornada de um seleto grupo que precisa atravessar uma área de gelo, com um rio totalmente congelado, para conseguir enfim resgatar as pessoas presas.


Neeson, enquanto isso, interpreta um motorista de caminhão que tem como missão, assim como o restante do grupo, chegar vivo na tal caverna — tudo isso ao lado do irmão, um rapaz, mecânico habilidoso, com transtorno pós-traumático. É uma espécie de Velozes & Furiosos no gelo, em que essas pessoas precisam ir o mais rápido até a chegada. Missão impossível.

Há, sim, alguns bons momentos de tensão orquestrados por Hensleigh, diretor de O Justiceiro e roteirista de filmes como Jumanji: Bem-Vindo à Selva e Armageddon. A sensação de fim iminente, que transpassa toda a história, assim como o perigo que parece afetar todos personagens sem filtro: desde Neeson e seu irmão até Laurence Fishburne. É divertido.


No entanto, apesar das possibilidades, Missão Resgate é um filme genérico em sua essência. A corrida no gelo, o tempo passando, o senso de urgência. Tudo isso já foi visto outras vezes, inclusive em produções com o próprio Liam NeesonA Perseguição, por exemplo, é um filme com os mesmos elementos; até mesmo o frio está aqui. Fica difícil, assim, embarcar na trama.


Afinal, mais do que empolgação e boas cenas de ação, um filme precisa ter algo de original para nos prender na história. E mesmo com a imprevisibilidade das situações, com alguns personagens morrendo pelo caminho, isso não serve. Sabemos como o filme deve terminar. Não há ousadia, originalidade. Tudo é plano. E, nisso, Missão Resgate pode empolgar, mas não inova.


No final das contas, então, fica aquela sensação: precisava? Será que Jonathan Hensleigh, autor de algumas histórias interessantes por aí, não tinha uma ideia pelo menos um pouco mais criativa? Liam Neeson, felizmente ou infelizmente, está deixando o cinema de ação para trás. E é uma pena que esse, talvez, seja o seu último filme no gênero: banal e, pena, nada memorável.


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