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  • Matheus Mans

Crítica: 'Murina' é bom filme sobre amadurecimento e dramas familiares


Que filme mais memorável é Murina, longa-metragem exibido no Festival de Toronto 2021 e, infelizmente, ainda sem previsão de estreia no Brasil. Estreia na direção da croata Antoneta Alamat Kusijanovic, o título conta a história de Julija (Gracija Filipovic), uma jovem no litoral italiano que mora com seu pai e sua mãe. Tudo vai bem nesse cenário mais do que paradisíaco.


No entanto, as coisas mudam drasticamente quando um amigo do pai, Javier (Cliff Curtis), chega para passar um período no litoral italiano. Empresário de sucesso, investidor capa de revistas internacionais, ele está ali não só para passar um bom tempo, como também para avaliar se vale a pena comprar uma terra ali na região -- com interesse do pai de Julija nesse negócio.


O que Kusikanovic faz, logo em seguida, é misturar dois tipos de histórias. Numa camada mais superficial, encontramos uma tradicional história sobre amadurecimento, o tal coming of age. Afinal, Julija está no final da adolescência e começa a atrair olhares. O pai controla até mesmo o uso de maiôs, pedindo para que a garota se vista. Sem falar do amor platônico por Javier.

No entanto, numa camada mais profunda, Murina é um drama familiar delicado, com camadas sensíveis que podem ser inclusive interpretadas como uma espécie de abuso moral por parte do pai (Leon Lucev). Nessa junção de amadurecimento com drama familiar, encontramos um filme potente, em que a personagem principal é desenvolvida ao máximo. Nos conectamos com ela.


Muito disso se deve, também, ao que a jovem Gracija Filipovic entrega em cena. Além da boa introspecção da personagem, que diz muito através de olhares, sorrisos e gestos, há também os momentos de explosão emocional envolvendo o pai, Javier e a mãe (Danica Curcic) -- todos eles também muito bem em cena, com destaque para o tom sedutor de Curtis (Doutor Sono).


Murina, assim, é um dos bons destaques do Festival de Toronto em 2021. Maduro, potente, com uma boa história e bons personagens, mostra como o coming of age pode ir muito além dos dramas existenciais e das paixões que surgem com a idade. Dramas podem surgir, problemas familiares se intensificarem. E, felizmente, Kusijanovic faz uma estreia chamativa na direção.


Agora, por fim, é pra ficar de olho numa possível indicação de Murina no Oscar de Melhor Filme Internacional para a Croácia em 2022. Lembrando que, além das boas qualidades do longa-metragem, ainda temos Martin Scorsese na direção ao lado do brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features -- que não passa por um momento muito bom, mas ainda tem trânsito em Hollywood.


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