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  • Matheus Mans

Crítica: 'Museu' é filme monótono, mas com mensagem interessante


O YouTube anunciou, há algum tempo, que iria entrar de cabeça na produção de séries, filmes e programas de TV originais. Uma dos primeiros resultados é o longa-metragem mexicano Museu, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 8. Protagonizado por Gael García Bernal (Estás me Matando Susana) e dirigido por Alonso Ruizpalacios (Gueros), o filme até conta com boas intenções, mas decepciona na tentativa de fazer algo dinâmico. Afinal, o resultado não tinha como ser mais monótono.

A trama acompanha a história real dos amigos Juan (Bernal) e Benjamin (Leonardo Ortizgris), que decidem assaltar um dos mais importantes museus de antropologia do mundo. Ainda que inexperientes, a dupla consegue furtar alguns dos artefatos mais valiosos da história do México e que ajudam a contar um pouco sobre a história do País. O que eles não esperavam, porém, é que não conseguiriam vender tais objetos nem no mercado clandestino pela preciosidade e pela história que tais artefatos carregam.

Enquanto a cena do roubo é tensa e muito bem feita, fazendo com que o espectador fique grudado na cadeira, o resto do filme parece apenas uma tentativa de Ruizpalacios de encher linguiça. Não há emoção, não há história e, muito menos, identificação com os personagens principais. Coisa que é um erro grave para um filme de roubo. O que faz com que produções como La Casa de Papel, Onze Homens e um Segredo e Em Ritmo de Fuga está, dentre outras coisas, na identificação que os personagens criam com o público. É o que faz as pessoas torcerem pelos bandidos. Sem isso, não há nada mais.

Se Ruizpalacios tivesse construído uma história depois do roubo, talvez o filme tivesse se mantido em pé e, assim, houvesse alguma identificação com o que está sendo contado. Mas nem os atores seguram a falta de compromisso do cineasta. Bernal, que parece estar numa maré de azar após as bombas Se Você Soubesse e Estás me Matando Susana, não conseguem ir além de uma superfície turva e sem complexidade. Seu personagem só faz besteiras. Difícil sentir algo além de desprezo. Não é culpa dele, porém.

O resto do elenco está apenas operante, sem entregar nada a mais. Leonardo Ortizgris (também de Güeros) tenta fazer um contraponto à explosão de Bernal, mas serve apenas como escada para a irritação. O ótimo Simon Russell Beale (A Morte de Stálin) aparece pouco, mas consegue chamar a atenção e trazer uma mensagem interessante embutida em suas ações. Pena, porém, que o roteiro do próprio Ruizpalacios e de Manuel Alcalá (Bellas de Noche) não consegue desenvolver situação e personagem.

A única grande recompensa de 128 minutos de projeção está na sequência final, quando há uma forte cena no museu que foi feito o roubo. Quase que sutilmente, o roteiro consegue trazer lições que o Brasil viveu há pouco tempo, quando o Museu Nacional pegou fogo no Rio de Janeiro e reduziu às cinzas séculos de pesquisa. É uma reação social quase natural, mas que vale um estudo aprofundado e, quem sabe, algum dia, um bom filme. Museu até tenta. Mas a monotonia de sua história não consegue alcançar a boa mensagem e a boa história. Ficam só as boas intenções. De resto, quase nada.