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  • Matheus Mans

Crítica: 'Music', filme de estreia da Sia, é uma das maiores aberrações do ano


É difícil tratar de questões psicológicas no cinema. Afinal, depressão, ansiedade, autismo, TOC e coisas do tipo são particulares de cada um. Vivemos, infelizmente, com essas questões, no íntimo de cada pessoa. Já o cinema exige o retrato imagético, nas telas, para que o público pesque aquelas condições a partir de atuações mais delicadas que surgem a cada fala ou gesto.


O autismo, mais especificamente, já ganhou retratos bons e ruins em produções como Rain Man, Tão Forte e Tão Perto, Tudo que Quero e afins. No entanto, por mais que um filme erre a mão nesse retrato delicado do autismo, nenhum chegou perto do absurdo que cometeu Music, filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 6, e que marca a estreia da cantora Sia na direção.


Na trama, acompanhamos Music (Maddie Ziegler), uma jovem autista que faz a mesma coisa todos os dias. Sua vida sai do prumo, porém, quando a mãe morre do nada, de maneira súbita. Music fica sem chão. Neste momento, então, conhecemos Zu (Kate Hudson), a irmã da protagonista que surge para tentar abocanhar a herança, enquanto lida com o futuro de Music.

A partir daí, é toda aquela bobagem que todos nós já sabemos: transformações na maneira de enxergar a vida, relações que se estreitam e coisas do tipo. É o mais banal de uma narrativa sobre autismo e famílias disfuncionais. Ziegler, para compor a personagem, passa pelo pior trabalho de direção possível, chamando a atenção para todos os estereótipos dessa condição.


O pior, porém, é quando Sia segue por um caminho desrespeitoso em relação ao autismo. Os personagens de Leslie Odom Jr. e Hudson possuem decisões difíceis de defender na tela. É chocante, assim, que um filme como Music reproduza erros que seriam facilmente compreendidos (e retirados do filme) com uma consultoria com psicólogos ou pais de autistas.


Nem mesmo alguns bons números musicais, que intercalam a narrativa de Music, ajudam a aliviar o sentimento de desprezo com o que Sia faz na tela. É, sem dúvidas, um dos piores filmes do ano, com seu roteiro que beira uma aberração. Simplesmente não dá para defender o que foi feito aqui, tampouco um filme como esse ganhar visibilidade. Boicote Music. Melhor.

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