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  • Matheus Mans

Crítica: 'Na Mesma Onda', da Netflix, é filme adolescente que repete fórmulas


Nunca vou perdoar John Green pelo movimento bizarro, e acredito que um tanto quanto inexplicável, que ele criou nos cinemas. Autor de livros como A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, ele pariu essa ideia de romances juvenis que sempre contam com uma doença na equação. Na literatura, tem até um nome para isso: é a sick-lit. É o romance com jovens doentes.


Sinceramente, não entendo bem o atrativo disso. Mas parece que faz sucesso. Desde A Culpa é das Estrelas, são incontáveis os filmes que abordam essa ideia: A Cinco Passos de Você, Sol da Meia-Noite e Tudo e Todas as Coisas são apenas alguns exemplos. E agora, um filme italiano na Netflix embarca novamente nessa ideia de romances salpicados de doença: Na Mesma Onda.


Dirigido por Massimiliano Camaiti, o longa-metragem acompanha a história de um romance juvenil entre Sara (Elvira Camarrone) e Lorenzo (Roberto Christian). Eles se conhecem durante um acampamento juvenil, daqueles de verão, e logo começam o romance. No entanto, logo depois dessas férias, Sara descobre que sua distrofia muscular está piorando bastante.

A partir daí, Camaiti segue por um roteiro que segue todos os padrões dessas histórias. Primeiramente, mostra Sara resistente ao fato de ter que falar sobre sua condição ao rapaz. Depois, vem a típica jornada de aceitação e coisas do tipo. Nada surpreende, nada chama a atenção nesse roteiro absolutamente comum e genérico. A sensação é que não há inovação.


Camarrone até que vai bem no desafio de interpretar essa jovem com distrofia muscular, transitando bem entre os momentos de romance com os dramas familiares e particulares -- é uma doença difícil de retratar, vale dizer. Mas o talento da jovem italiana não é explorado. Já Roberto, o par romântico, é fraquíssimo. Em alguns momentos, causa até um constrangimento.


Camaiti até que vai bem na condução do ritmo e ao aproveitar as belas paisagens italianas. Mas não é o bastante para tornar Na Mesma Onda distinguível ou memorável. Poderia ser mais um filme americano sobre esses jovens doentes, diferenciando-se apenas por conta do idioma e das paisagens. Só quem quer um filme como esse, já visto dezenas de outras vezes, vai se contentar.

#Crítica #Cinema #Filme #Romance #Netflix

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