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Crítica: 'Na Sinfonia do Coração', da Netflix, é bonitinho, mas exagera no tom fantasioso

  • Foto do escritor: Matheus Mans
    Matheus Mans
  • 10 de ago. de 2022
  • 2 min de leitura

Sümbül (Hazar Ergüçlü) está de casamento marcado. Ainda que não conheça o noivo, as preparações estão a toda -- vestimentas, comida, música. Tudo está nos conformes. No entanto, duas coisas acontecem e que colocam um fim na festividade. Primeiro, antes da celebração, a personagem conhece Piroz (Erkan Kolçak Köstendil), o músico nômade que vai tocar em seu casamento. Se apaixona. Ou melhor: se apaixonam. Depois, o noivo desiste da união alegando que ela não é pura. Esse é o início de Na Sinfonia do Coração, estreia da Netflix nesta quarta, 11.


Dirigido e roteirizado por Soner Caner (Rauf), é a história de amor clássica, como já conhecemos e vimos aos montes ao longo dos anos. No entanto, aqui não há um príncipe perfeito e uma gata borralheira do outro lado. Os dois aqui são borralheiros. Ele, afinal, é músico, nômade e vive em uma vila simples, sem posses. Ela, enquanto isso, cai em desgraça por conta dessa falta de pureza. É condenada à morte. Como escapar dessa? A partir daí, acompanhamos essa história de amor tão clássica, mas repleta de particularidades, com as duas pontas fora da normalidade.


Visualmente, já se percebe que Caner abraça o fantasioso. É tudo muito colorido, surreal, divertido. Até mesmo situações levam frequentemente para isso: o pai de Piroz é apaixonado por uma mulher pouco após a morte de sua esposa e, para tentar alcançá-la, vai dentro de uma carroceria de um carro antigo levado por um cansado cavalo. Percebe-se quase uma intenção de fábula aqui, de conto de fadas, com Caner abraçando o improvável. Lembra um pouco de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, com todas suas cores, personagens excêntricos e afins.


O pecado de Na Sinfonia do Coração está em como isso atinge os personagens. Se hoje em dia até mesmo as princesas da Disney estão cada vez mais realistas, com dilemas humanos e sociais contemporâneos, é difícil embarcar em um filme como esse em que os personagens são tão irreais. Eles parecem saídos da imaginação de uma criança, planos de tão ingênuos. Causa um certo incômodo e, com isso, o distanciamento do espectador para com a trama é intensificado. Fica complicado sentir empatia pelos personagens, assim como identificação.


No final, fica a sensação de ser realmente um filme bonitinho e simpático, com um visual que causa um aconchego imediato, mas que logo depois se perde. Na Sinfonia do Coração, afinal, poderia ser mais do que é. Só precisa ter mais conexão com a realidade e, assim, fazer com que o espectador não veja o filme tão impassível. É difícil segurar o bocejo, assim como aquela vontade de usar o celular, conforme os vínculos entre história e espectador vão enfraquecendo.


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