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  • Matheus Mans

Crítica: ‘Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo’ é filme pouco coeso


Assim como ficou claro em The Way I See It, fotógrafos são pessoas com muitas histórias. Vivem dezenas de aventuras, conhecem figuras marcantes. Eu mesmo já tive oportunidade de sentar e conversar com alguns dos grandes fotógrafos desse País e foram experiências ótimas. Por isso, esperava muito de Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo.


Selecionado para o É Tudo Verdade 2020 e dirigido pelo estreante Cláudio Moraes, o longa-metragem busca contar as histórias do fotógrafo Orlando Brito, um dos mais atuantes da cena fotográfica dos últimos anos. É um ícone no jornalismo e que soube retratar artistas, presidentes, desconhecidos e gente muito famosa sempre com o mesmo respeito.


No entanto, que bagunça. Que bagunça! Aqui, Moraes não foca em uma história, não se aprofunda em nada. Aparentemente desesperado com tantas histórias e com tamanho material em mãos, o diretor se afoba. E o longa-metragem nos dá a sensação de nunca sair do lugar. É fixo, paralisado. Brito, enquanto isso, salta de uma história para outra sem fim.

Fala rapidamente de como fotografou Zé Keti, depois de como foi seu encontro com José Sarney, depois como tirou uma foto de Mário Quintana. Depois, do nada, o filme interrompe as histórias e mostra Brito fotografando uma cerimônia religiosa -- sem nenhum contexto, nenhuma ligação com o que tinha sido apresentado até então. Depois, volta às histórias.


Não há coesão alguma no que está sendo mostrado na tela de Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo, tampouco uma linha narrativa. O espectador fica sendo jogado de um lado para o outro nas histórias de Brito. Ele, por sua vez, é um protagonista-entrevistado amassado entre a edição ruim do filme, que não deixa suas histórias ganharem sabor.


Uma pena que este filme se perca dessa maneira, sem conseguir criar nenhuma conexão com o profissional tão respeitado em tela. Faltou calma, faltou cuidado, faltou tranquilidade. É um filme claramente de estreia que, no final das contas, não fica na memória de maneira positiva. Fica perdido no caos narrativo criado, sem nunca se encontrar de fato. Uma pena.

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