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  • Matheus Mans

Crítica: 'Navalny' é documentário forte e revelador sobre política russa


Alexei Navalny é, talvez, um dos maiores adversários de Vladimir Putin. Inteligente, coeso e com bom alcance público, ele se tornou uma liderança que realmente bate de frente com o ditador russo, deixando claro como há fragilidades, absurdos e abusos no discurso de Putin. E é justamente por isso que Navalny foi envenenado, preso e, agora, tema do documentário Navalny.


Exibido no É Tudo Verdade 2022, o longa-metragem é um mergulho na vida, rotina e desafios diários do político russo. Com uma câmera bem próxima de Navalny, o cineasta Daniel Roher (Once Were Brothers) mostra desde as ideias políticas de Navalny, passando por sua estratégia para enfrentar Putin e indo até suas relações familiares e a forma como lidou com as ameaças.


Obviamente, há um cuidado para não trazer polêmicas que enfraqueçam Navalny -- muitas das coisas que circundam sua imagem, afinal, partem de invenções de Putin e seus asseclas. No entanto, a participação de Navalny em um comício com inspirações neonazistas, além de uma fala dele falando que é um momento para se aliar, deveriam ter sido problematizadas.

Ninguém é santo, muito menos políticos. Qual o fraco de Navalny? É essa aliança com a extrema direita? É a falta de um espectro político mais definido e que causam bizarrices como a vista no Brasil? O documentário se tornaria mais humano, verdadeiro e aprofundado se trouxesse isso.


Tirando isso, Roher traz momentos realmente marcantes em Navalny, além de alguns que podem ser considerados claramente históricos. É o caso da ligação do político para um cientista, aliado de Putin, que trabalhou no seu envenenamento. Além de trazer alguns elementos políticos típicos da Rússia, a cena mostra um pouco como se arquitetam os ataques do presidente.


Enfim: Navalny é um documentário mais do que relevante, com temas contemporâneos em um momento em que Rússia e Ucrânia estão em guerra. É possível entender mais sobre Putin olhando e conhecendo seus inimigos do que se fosse um simples perfil do líder russo. Aqui, nós entendemos o que há "do outro lado" e, é claro, como o buraco é mais fundo do que parece.

 

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