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  • Matheus Mans

Crítica: 'Nem um Passo em Falso', do HBO Max, é Soderbergh em grande estilo


O cineasta Steven Soderbergh ficou conhecido por seu estilo inconfundível. Seja pelo uso de câmeras com lentes grande-angulares, brincando com a sensação de espaço, ou pelas narrativas rocambolescas, cheias de idas e vindas. É um cineasta com um marca registrada. E por isso é tão compensador ver esses detalhes e características em Nem um Passo em Falso.


Filme original do HBO Max, o longa-metragem é uma emaranhado de personagens. Mas nossa atenção precisa ficar concentrada em dois: Curt Goynes (Don Cheadle) e Ronald Russo (Benicio Del Toro). Ladrões de marca maior, eles são contratados por um mafioso (Brendan Fraser) para roubar o documento de um executivo de uma montadora de automóveis. Um único envelope.


No entanto, como já vimos em outros filme de Soderbergh, como Onze Homens e um Segredo, as coisas vão se transformando. Alguns personagens revelam intenções obscuras, outros brincam com a percepção do espectador. Mas, o que realmente valoriza o longa-metragem é que ele nunca deixa de ser um filme de assalto em sua essência. São pessoas atrás de dinheiro.

O roteirista Ed Solomon (de MIB: Homens de Preto e da franquia Bill & Ted), no entanto, não faz com que essa história seja linear. Os personagens, principalmente os interpretados por Cheadle e Del Toro, ficam andando em círculos atrás desse dinheiro, sempre em altos e baixos. É saboroso acompanhar essa jornada de personagens com objetivos definidos, mas dispersos.


O elenco também ajuda a deixar tudo ainda mais interessante. Esses dois protagonistas estão realmente bem em seus personagens de assaltantes trapalhões -- principalmente Del Toro. Brendan Fraser também encaixa como uma luva no papel desse mafioso, mostrando que o ator não merecia a geladeira que ficou. Ainda há Jon Hamm, Ray Liotta, Bill Duke. Todos eles bem.


E apesar do desenrolar da história ser bom, ainda que com algumas repetições desnecessárias, o ponto alto está no final. Uma sacada envolvendo o personagem de Matt Damon, numa participação especial, é exepcional. Daquelas que não víamos na carreira de Soderbergh desde Terapia de Risco, talvez. Nos faz ver o filme com outro olhar, de uma maneira muito diferente.


Não é um filme excepcional do cineasta, mas sem dúvidas entra no top 5 do diretor. É espirituoso, é divertido, é bem sacado. Tem algumas falhas de roteiro e um exagero no tom rocambolesco lá pra metade -- fica até difícil de acompanhar. Mas o final, o bom elenco e a diversão que surge com essa história compensa. Tomara que Soderbergh engrene novamente.


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