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  • Matheus Mans

Crítica: ‘Night of the Kings’ é potente filme da Costa do Marfim


Que lindo, gentil, criativo e poderoso filme é Night of the Kings, produção da Costa do Marfim e que já foi selecionada pelo país africano para concorrer ao Oscar. Exibido no Festival de Toronto, o longa-metragem é um filme sobre uma prisão. Mas nada de Fuga de Alcatraz ou Rota de Fuga. Aqui, há poesia, há teatro, há literatura e o poder da palavra.


Afinal, o Philippe Lacôte (do mediano Run) se vale desse ambiente hostil, e geralmente ligado à violência descabida, para falar sobre fantasia, sonho. Começa com um jovem assustado (Bakary Koné) chegando em uma das prisões mais severas da Costa do Marfim. Logo, ele é escolhido pelo líder do local como o Roman. Como o contador de histórias.


Por ser noite de lua vermelha, o rapaz precisa contar uma história para os outros prisioneiros. Afinal, se a história não for boa ou curta demais, os líderes do grupo de oposição ganham passe livre para matar o atual líder. É uma espécie de releitura de As Mil e Uma Noites. Mas nada de Sheherazade. Aqui, nosso protagonista é um rapaz negro.

A força da história de Lacôte, que sabe unir esse tom fabular com o realismo degradante das prisões, é o ponto alto do filme. Delicioso acompanhar a construção narrativa da história inventada ali na hora por Roman, que vai ganhando ramificações inesperadas conforme a história avança e o desespero vai surgindo. Um filme encantador, sem dúvidas, sobre arte.


Koné é uma revelação na tela, ganhando força e destaque cena após cena. Steve Tientcheu (visto recentemente no drama francês Os Miseráveis) também tem um bom espaço na tela, muito por conta de sua fisicalidade que toma conta. O resto do elenco trabalha bem a fantasia e ajuda o diretor a criar o clima necessário pro filme deslanchar.


Uma pena, porém, que o ritmo caia um pouco no último ato. Algumas coisas ficam apressadas demais, outras confusas. Muita coisa não se encaixa. E parece que Lacôte terminou a história de qualquer jeito. Mas tudo bem. Night of the Kings é um dos longas mais interessantes dessa leva e deve vir forte para o Oscar internacional em 2020.


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