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  • Matheus Mans

Crítica: 'Nina' explora cinema policial no Brasil com excesso de clichês


Infelizmente, o cinema policial no Brasil ainda está engatinhando. E, com isso, são inúmeros os tropeços pelo caminho. Filmes como Macabro, Alemão e Federal mostram que ainda há um longuíssimo caminho a ser percorrido. Nina, que chega aos cinemas já nesta quinta-feira, 18, engrossa essa percepção com uma trama didática, pouco estruturada e erros complicados.


Mas vamos com calma. O longa-metragem conta a história de Nina (Raira Machado), uma jovem, com problemas de saúde e na fila de transplantes, que escuta sua mãe ser morta na sala de casa. O principal suspeito é o pai Valdir (Nelson Freitas), policial, que estava discutindo com ela na hora da morte — e que, logo em seguida, arma uma cena de assassinato da própria esposa.


A partir daí, o cineasta Paulo Alcântara passa a trazer elementos de thriller, ação e suspense para compor a narrativa. De um lado, a relação entre pai e filha que fica mais estranha quando Valdir, num rompante, decide esconder a filha. Quer impedir que a menina saia por aí falando que o pai matou a mãe. De outro, há um investigador (Marcos Pasquim) em busca da verdade.

O roteiro, assinado por Samuel Machado, é o ponto mais fraco dessa cadeia. Nina, em momento algum, provoca o espectador a realmente ficar impactado ou confuso com o que está se desenrolando na tela. O personagem de Pasquim (conhecido pelo personagem do Pescador Parrudo de Kubanakan) repete sempre a mesma fala: "vem cá, não tá achando isso estranho?".


Alcântara, infelizmente, não sabe trabalhar com a sutileza necessária nessa história. Tudo é muito na cara. Fora as coincidências de roteiro (preste atenção como Pasquim, mesmo sem querer, está sempre no lugar certo e na hora certa) e algumas facilitações difíceis de engolir, como a saída de Nina do hospital, depois de uma passagem complicada, pronta para correr.


Pelo menos dá para dizer que o elenco se esforça, com destaque para Freitas e Pasquim. No entanto, nem assim dá para aumentar as estrelas aqui em baixo. Nina, infelizmente, é mais uma mostra de como ainda há um longo caminho para o cinema nacional a ser percorrido. Mas, ainda bem que está acontecendo, mesmo que aos trancos e barrancos. O importante é tentar.


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