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  • João Pedro Yazaki

Crítica: 'Noite no Paraíso', da Netflix, é filme gorduroso e pouco objetivo


A Netflix vem aumentando seu portfólio de produções sul-coreanas durante os últimos anos. Mais de 500 milhões de dólares já foram investidos em filmes e séries do país asiático desde o sucesso de Okja, do aclamado Bong Joon-ho (Parasita e Expresso do Amanhã).


Uma das mais recentes produções, Noite no Paraíso, de Park Hoon-jung (conhecido por Nova Ordem e Daeho), é mais uma das várias apostas do serviço de streaming para atrair ainda mais o público ocidental, por se inspirar em diretores de sucesso como Quentin Tarantino e Martin Scorsese. O filme conta a história de Tae-Gu (Um Tae-goo), um gangster que quer se dedicar a cuidar da irmã e da sobrinha pequena, mas ambas acabam morrendo em um acidente causado por um clã rival. Após se vingar matando um dos líderes dessa gangue, Tae-Gu parte em jornada de sair do país e reconstruir a vida.


Desde o começo, vemos um investimento emocional em Tae-Gu. Ele não tem amigos e sua única família restante é a irmã, que enfrenta uma doença terminal, e sua sobrinha pequena, muito apegada ao tio. Tae-Gu perde as duas e, consequentemente, perde tudo o que tem. A única coisa que sobra para ele é se vingar e mudar de vida, mudar de país. Diferente do que conhecemos, não é um filme sobre a vingança do protagonista, pois ela vem logo no começo; é sobre suas consequências.


Além de Tae-Gu, existe uma outra protagonista dessa história: Jae-Yeon (Yeo-bin Jeon), uma menina que também teve entes queridos assassinados pela máfia. Seu único parente é o tio, um traficante de armas que trabalha para a mesma gangue de Tae-Gu. A tarefa de Jae-Yeon nesta história é ser motorista de Tae-Gu e ajudá-lo em seu trajeto. Ao longo da narrativa, vamos conhecendo mais a fundo os passados terríveis de cada um, sendo eles suas respectivas motivações.

No geral, é um filme que funciona. Pelo menos no primeiro ato, é fácil do espectador se sentir preso. Ademais, o trabalho audiovisual é bacana. Vemos cenas cinematograficamente bem elaboradas, com uma direção preocupada em transmitir a emoção dos atores e em conduzir o tom do longa.


Todavia, embora a narrativa inicialmente seja interessante, ela é bastante inflada e pouco objetiva. É um daqueles filmes com mais de duas horas de duração, que poderia facilmente durar uma hora e meia. Existem inúmeras cenas desnecessárias e longas, que não acrescentam em nada. Mesmo indo por um caminho legal, o enredo se perde várias vezes.


Ao invés de focar no melhor que poderia oferecer, a relação entre Tae-Gu e Jae-Yeon, o filme decide abordar os atritos entre as gangues mafiosas. No entanto, nada desse conflito funciona. É tudo muito genérico e sem força, inclusive as violentas e sangrentas cenas de ação. Tirando uma cena mais para a metade e a final, que são realmente muito boas, o filme não tem muito o que oferecer neste quesito.


Enfim, Noite no Paraíso seria ótimo se tivesse investido mais na relação entre os protagonistas e menos nos mafiosos. A própria Jae-Yeon é uma personagem que não teve seu potencial aproveitado, pois o roteiro está sempre perdendo tempo desenvolvendo arcos nada relevantes, o que gera uma gordura desnecessária. Mesmo assim, os protagonistas tem qualidades, assim como o desenrolar do terceiro ato, principalmente a catarse final. Embora seja excessivamente longo e falta força no desenvolvimento, o diretor consegue dar uma visão original para o filme e até quebrar alguns paradigmas conhecidos no cinema ocidental.

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