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  • Matheus Mans

Crítica: 'Notorious B.I.G.: A Lenda do Hip Hop' é filme cansativo da Netflix


Não há dúvida de que Christopher George Latore Wallace foi uma lenda, um expoente máximo dentro de seu universo. Conhecido popularmente como Notorious B.I.G., o jovem negro fez história ao se tornar um dos maiores expoentes americanos do hip hop com letras ácidas e que retratavam com precisão os sentimentos, costumes e anseios de uma parcela do povo dos EUA.


Notorious B.I.G.: A Lenda do Hip Hop é, então, daqueles filmes que tentam entrar na cabeça da lenda, da pessoa por trás do mito. Dirigido por Emmett Malloy (do interessante drama independente As Tribos de Palos Verdes), o documentário original da Netflix mistura imagens de arquivo extremamente íntimas com entrevistas com aqueles que eram mais próximos de B.I.G.


Há uma riqueza de detalhes e de força nesses relatos que é inegável. É interessante ver a origem de B.I.G., ainda como Christopher. Um garoto tímido, estudante em uma escola católica, que acaba passando pelo mundo das drogas até chegar ao seu lugar certo: a música. A jornada de Notorious B.I.G. já é conhecida (e até um pouco banal), mas isso não faz o filme perder força.

O que decepciona, e acaba fazendo com que a nota final de Notorious B.I.G.: A Lenda do Hip Hop despenque, está no roteiro cansativo de Sam Sweet. Estreante em sua função, Sweet quase não dá respiros neste documentário da Netflix. São entrevistas atrás de entrevistas, falas atrás de falas. Imagens de arquivo não falam por si só, são apenas o background para mais entrevistas.


Se torna repetitivo, cansativo. É muita gente falando o tempo todo, sem dar ao filme o ritmo necessário para contar uma história tão forte e impactante como a de Notorious B.I.G. Não há a força da ficção de uma história do hip hop, como Straight Outta Compton: A História do N.W.A., nem há a força de um documentário que deixa a história acontecer na tela, sem interferências.


Obviamente, a história de B.I.G. é tão boa que, de alguma forma, acaba compensando -- por mais que a música do protagonista fique em segundo plano quando comparado com as entrevistas, novamente. Faltou para Notorious B.I.G.: A Lenda do Hip Hop mais força, mais agilidade, mais esperteza em sua edição, roteiro, condução. É ruim? Não. Mas poderia ser muito, muito melhor.

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