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  • Matheus Mans e Bárbara Zago

Crítica: Novo ‘Jumanji’ surpreende com trama criativa e elenco afiado


Não tinha como alguém imaginar isso: Jumanji: Bem-Vindo à Selva é muito bom. Sequência do clássico de 1995 com Robin Williams, o novo longa-metragem quebra qualquer tipo de preconceito saudosista com uma trama bem resolvida e um elenco que transmite a alegria de estar atuando. Além disso, ele não erra ao tentar distorcer ou refazer a história do filme que o inspirou. É uma sequência, pura e simples, que surge pra contar outro lado dessa clássica história. Que surpresa!

A trama lembra um pouco o filme de 1995, mas um pouco mais modernizada: um grupo de quatro jovens vai para a detenção, ao melhor estilo de Clube dos Cinco, e precisam lidar com as suas diferenças. No meio do processo, um deles acaba encontrando uma fita de um misterioso jogo -- claro, o Jumanji. Depois de escolherem seus avatares, do nada, o som de tambores ressoa no ressinto e eles são tragados para o jogo. É o caminho inverso do que é visto no filme original.

No começo, é natural sentir medo do que vem pela frente. Afinal, não é uma experiência positiva estragar um filme, série ou desenho que fez parte da sua infância -- Pan, do ano retrasado, está aí pra provar isso. E tinha tudo pra dar errado: o diretor Jake Kasdan nunca fez nada de muito interessante além do razoável A Vida é Dura e dos péssimos Professora Sem Classe e Sex Tape. E o elenco inicial de adolescentes é risível, com o fraco Alex Wolff (irmão do Nate) na liderança.

Rapidamente, porém, os adolescentes saem da tela e entram os avatares do jogo, fazendo o filme ganhar escala com um elenco afiadíssimo. Dwayne Johnson, como sempre, ri de si mesmo como já foi visto em Baywatch; Jack Black (Goosebumps) está maravilhoso na pele de uma patricinha mimada; Karen Gillian (Guardiões da Galáxia) mostra versatilidade; e Kevin Hart (Um Espião e Meio) se entrega com um papel feito em medida pra ele. Só Nick Jonas está apático.

Junto com essa transformação do elenco, surge um roteiro divertido, apesar de rodeado de clichês do gênero aventura, e uma direção que sabe como trabalhar com isso. Logo nos primeiros minutos, surge aquela prazerosa dor facial que é sentido quando você não para de rir -- há uma cena de Dwayne Johnson correndo que é impagável, junto com sua aura de imbatível. É piada atrás de piada, sem o sentimento ruim de artificialidade. É tudo natural e entrosado na tela.

Claro, há erros. O roteiro, por exemplo, é previsível demais e o vilão (Bobby Cannavale, de Homem-Formiga) é péssimo. É uma caricatura da caricatura e suas intenções são risíveis. Mas convenhamos: o novo Jumanji não se propõe a ser um novo clássico contemporâneo ou levar uma enxurrada de prêmios. É um filme para divertir grupos de amigos ou famílias, caso você não ligue de ver algumas piadas envolvendo órgãos sexuais ao lado de sua mãe ou pai.

Além disso, Jumanji: Bem-Vindo à Selva não comete o erro mais básico de todos: acabar com a memória do longa de 1995. Nada ali é estragado, já que não é um remake, um reboot e nem pretende mexer com a história original. É uma simples sequência espiritual e que não tem medo de mostrar um lado obscuro dessa história. Há, também, uma homenagem bem singela, mas muito emocionante, ao personagem de Robin Williams. Ganhou mais alguns pontos.

No final, Jumanji: Bem-Vindo à Selva que cumpre muito bem seu papel. Diverte, honra a memória do filme original e faz a audiência sair leve da exibição. É um tapa na cara das pessoas que torcem o nariz pra filmes que ainda nem saíram do papel -- e eu me incluo nessa lista, infelizmente. É a mostra de que, às vezes, podemos mexer em ideias antigas, sim. É só ter uma boa ideia na cabeça, um bom ambiente de produção e não acabar com a memória afetiva.

E, sem dúvidas, Jumanji: Bem-Vindo à Selva faz isso muito bem. Grata surpresa de 2018.

ÓTIMO