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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Caderno de Tomy', da Netflix, é filme doloroso sobre morte e luto


Inicialmente, O Caderno de Tomy se oferece na Netflix como um drama emocional sobre uma mãe com câncer terminal com seu filho, ainda pequeno e sem entender o que acontece. Alguma coisa no estilo de 18 Presentes ou, ainda, Minha Vida, com Michael Keaton. No entanto, não é bem assim. Este drama argentino é muito mais forte, triste e melancólico do que parece.


Afinal, o tal caderno de Tomy que dá título ao filme -- um diário da mãe para que seu filho relembre quem ela era e o que fazia -- é apenas um pequeno ponto dentro da história. A trama de María (Valeria Bertuccelli, excelente no papel), que realmente existiu e viveu essa história, tem um foco maior na relação dela com a morte. Com a partida. Com os preparos finais.


O Caderno de Tomy é, acima de tudo, um filme sobre morte. Aqui, ao contrário do que parecia em um primeiro momento, não há realmente em mostrar a preocupação real e existente da mãe com o menino. Se isso aparece em 5 minutos do filme é muito. O foco é como o marido vai preparando a morte, como os amigos lidam a partida e como a protagonista lida com o redor.

É triste, é melancólico, é depressivo. Fica a um ponto do diretor Carlos Sorin (O Cachorro, Filha Distante) cair no dramalhão barato. No entanto, lá pelo final, a sensação é de que o diretor pesa a mão em uma das sequências mais tristes do ano -- amigos, o marido e o filho se despedindo de María, que passará a ficar sedada até a morte. Faltou delicadeza, sensibilidade, cuidado.


Por fim, porém, deve-se destacar as excelentes atuações do elenco. Bertuccelli (XXY) emociona e segura cenas inclusive desproporcionais, como essa citada. O mesmo vale para o ator que interpreta o marido da protagonista, Esteban Lamothe (La Flor), que acaba ficando com as cenas mais complicadas, repletas de momentos fortes demais ou que exageram na depressão do tom.


Enfim, O Caderno de Tomy é um filme que não dá pra assistir todo dia. Apesar da tentativa de dar um tom alegre e leve, há uma densidade depressiva forte aqui -- se a pessoa está doente ou com algum problema grave, sem dúvidas o longa vai acentuar a tristeza. É um filme para se enfrentar, talvez derramar algumas lágrimas, e depois ficar pensando na finitude das vidas.

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