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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Culpado', da Netflix, é remake sem necessidade de existir


Algum leitor mais crítico pode olhar para o título acima e se questionar: existe algum remake que realmente precisou existir? Oras, remakes são, sim, interessantes quando usado à favor da narrativa. Quando ocorrem atualizações, mudanças de visão, novos olhares na história. É o caso de Scarface ou, ainda, Bravura Indômita. Mas, infelizmente, O Culpado não entra nesse grupo.


Versão do excepcional Culpa, de 2018, este novo longa-metragem da Netflix é basicamente um copia-e-cola do filme dinamarquês. Conta a história de Joe (Jake Gyllenhaal), um policial que foi transferido das ruas para o atendimento telefônico do 911. E ele entra em uma espiral de emoção quando atende Emily (Riley Keough), uma mulher que foi sequestrada pelo marido.


A partir daí, como numa espécie de Chamada de Emergência, acompanhamos esse policial de serviços interno tentando resolver a situação enquanto também precisa lidar com seus próprios demônios -- que, como espectadores, vamos descobrindo aos poucos. É um filme bem bolado e com uma direção correta de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), cada vez menos autoral.

O fato é que praticamente nada muda da versão dinamarquesa para essa obra norte-americana. O roteirista Nic Pizzolatto teve apenas o trabalho de traduzir a história e inserir alguns elementos para nos situar nos Estados Unidos -- as queimadas na Califórnia, as reações de alguns personagens e por aí vai. Se você viu Culpa, não vai ter surpresa alguma em O Culpado.


Gyllenhaal está bem no papel desse homem tentando resolver uma situação delicada. Com uma atuação bem mais explosiva do que o ator de Culpa, ele acaba carregando mais o filme de uma emoção explícita -- enquanto o dinamarquês aposta mais no implícito, no que não é dito. É uma diferença considerável, mas que acaba resultando em muito pouco no filme. É mais barulho.


E as reviravoltas finais, com bons trabalhos de voz de Keough e Peter Sarsgaard, ajudam a deixar a emoção lá em cima. Mas, de novo: não traz nenhuma novidade do que já foi visto em seu filme original. Por isso, se quiser valorizar o trabalho de independentes fora do circuito, vá ver Culpa. É legal, de vez em quando, viajarmos para outras culturas e olhares. Vai por mim.


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