• Matheus Mans

Crítica: 'O Doutor da Felicidade', no streaming, é leve comédia francesa


Ainda que tenha feito alguns pequenos trabalhos anteriormente, pode-se dizer que a grande estreia de Omar Sy nas telonas foi com a comédia Intocáveis, que levou milhões aos cinemas e entrou na lista de favoritos de outros milhares. Depois disso, o francês decolou: fez mais filmes independentes (A Espuma dos Dias, Samba, Chocolate), entrou em algumas grandes produções (X-Men e Jurassic World) e até em remakes (Uma Família de Dois).

Agora, ele volta à sua origem com a comédia francesa independente O Doutor da Felicidade, que chega direto em VoD pelos canais iTunes, NOW e Google Play. Dirigida por Lorraine Levy (do ótimo O Filho do Outro), a produção acompanha a história de um homem (Sy) que tenta escapar de sua vida, difícil e cheia de desafios, ao se passar por médico em um navio. Vendo o potencial financeiro da profissão, ele toma gosto e a toma como sua.

Depois disso, ele parte para uma pequenina cidade no interior da França para cuidar de sua população, até então atendida por um doutor que não acredita muito em remédios e não vê em sua profissão o potencial financeiro que existe. É aí que entra a transformação do Dr. Knock, o protagonista, que faz uma parceria com o farmacêutico ao mesmo tempo que põe na cabeça de seus "clientes" que estão gravemente doentes.

O filme começa com um tom leve, divertido e até um pouco caricato, sem cair no exagero. Sy, com um carisma que salta da tela, diverte e convence como um médico canastrão que, no início, só quer saber de estudar mais a profissão e ganhar o pão de cada dia. A ignorância de seus pacientes também causa bons momentos, fazendo com que o público mantenha um divertido acordo de confidencialidade com o protagonista. Faz rir.

A ambientação construída por Levy nem se compara ao que foi feito no drama O Filho do Outro, mas funciona. Principalmente quando Knock chega à cidade: seus habitantes são humildes e transparece como o tratamento depreendido pelo protagonista os está afetando. Fotografia e trilha sonora também funcionam bem em conjunto, dando um agradável clima interiorano para a leve comédia que vai se despontando em suas cenas e sequências.

Só que o roteiro de Levy, que se baseia num filme da década de 1950 escrito por Jules Romains e dirigido por Guy Lefranc, não consegue sustentar o clima com uma história interessante. Ainda que divertida, a trama de Knock não consegue deixar o espectador grudado na tela por todas as suas quase duas horas. É muito tempo pra pouca coisa. A subtrama envolvendo uma paixão do protagonista, ainda que bonitinha, destoa de todo o restante.

O Doutor da Felicidade, então, é um filme leve e agradável, bom para passar um tempo para se distrair. É a típica comédia francesa sem pretensões, sem grandes objetivos. Poderia ser mais se o roteiro fosse um pouco mais ousados e brincasse um pouco mais com a "profissão" de Knock, até mesmo explorando o potencial fílmico de Omar Sy. É bonitinho. E só.