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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Esquadrão Suicida' é tudo que queríamos do filme de 2016


Moldado no cinema trash de Seres Rastejantes e Super, James Gunn se tornou uma das vozes mais criativas do cinemão de hoje em dia. Depois de dar forma para a franquia de Guardiões da Galáxia, uma das apostas mais ousadas da Marvel, o cineasta ganhou seu tíquete dourado para embarcar em projetos cada vez mais ousados, originais e, acima de tudo, com o "jeitão de Gunn".


É isso que vemos em O Esquadrão Suicida, filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 5, para colocar ordem na casa depois do desastre absoluto que foi o longa-metragem dirigido por David Ayer em 2016 -- um dos maiores fiascos da DC. E James Gunn consegue. Afinal, ao invés de seguir a "cartilha de produtores", tirando o pé do acelerador, ele comanda uma insanidade.


O longa-metragem conta uma história bem similar ao que vimos no filme de 2016: um grupo de criminosos é arregimentado por Amanda Waller (Viola Davis) para uma missão. Neste caso específico, Pacificador (John Cena), Sanguinário (Idris Elba), Homem das Bolinhas (David Dastmalchian), Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior), Tubarão-Rei (Sylvester Stallone), dentre outros.


Eles precisam invadir um pequeno país na América Central para impedir que um desastre aconteça. Afinal, um golpe militar colocou fim em um governo de décadas. E o que os Estados Unidos e o Esquadrão Suicida têm a ver com isso? Eles precisam dar jeito em uma base secreta, administrada pelo Pensador (Peter Capaldi), com uma possível tecnologia extraterrestre.


A partir disso, Gunn faz o que sabe de melhor: misturar elementos. Tem uma comédia de situações, tem reviravoltas inesperadas (e bem humoradas), tem bastante ação e, sobretudo, violência -- ainda com salpicadas de fantasia e ficção científica. É uma mistura explosiva e inesperada, lembrando bastante o que o cineasta já tinha apresentado ao mundo em Guardiões.

O grande diferencial do filme em comparação com a produção estrelada por Chris Pratt é o tom da coisa, algo que Gunn nunca encontraria espaço na Marvel Studios. Há piadas adultas, há nudez rápida em um momento, muito sangue, cabeças explodindo. Nem tudo é muito original (Johnny Cash na trilha de novo?), mas a diversão é garantida para quem quer passar o tempo.


O Esquadrão Suicida acerta em cheio, também, na mistura inusitada dos personagem. Há toda a sobriedade do personagem de Elba (bem melhor que Will Smith, diga-se de passagem), mas também o caos da Arlequina, o inusitado do Tubarão-Rei, a estranheza do Homem das Bolinhas e, se destacando, a melancolia humorada da Caça-Ratos 2 -- surpreendendo com Melchior.


Além da atriz portuguesa, todo o restante do elenco está afinado. Idris Elba encaixa perfeitamente como esse líder sombrio e com até certa tristeza, fazendo uma boa dupla com a fisicalidade exagerada de John Cena. Margot Robbie está bem novamente como Arlequina, repetindo a boa atuação de Aves de Rapina, enquanto Stallone é perfeito como Tubarão-Rei.


A sensação que fica é que a DC está finalmente acertando o passo nos cinemas. Apesar do tropeço de Mulher-Maravilha 1984, o caminho está sendo trilhado de maneira inteligente: bons atores e diretores comandando histórias que não precisam, necessariamente, seguir uma lógica de universo compartilhado complexo. Vamos nos cinemas, principalmente, para se divertir.


Este longa-metragem de James Gunn é o filme pipoca do ano até agora. E olha que tivemos "carros espaciais" em Velozes & Furiosos 9. É um filme certeiro para todos. É criativo, é caótico, tem personagens memoráveis e, ao contrário do que vimos em 2016, dá vontade de uma sequência. E cá entre nós: agora, eu quero mais Esquadrão do que Guardiões.


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