• Matheus Mans

Crítica: 'O Estado das Coisas' mostra um novo caminho de Ben Stiller


Ben Stiller parece que está cansado de comédias. Nos últimos anos, sua filmografia deixou de estampar filmes como Entrando Numa Fria e Uma Noite no Museu e passou a ter títulos como os excelentes A Vida Secreta de Walter Mitty, Enquanto Somos Jovens e, mais recentemente, Os Meyerowitz. Agora, um novo filme entra nessa lista para tentar mostrar o lado mais humano de Stiller: o drama O Estado das Coisas, que chega aos cinemas do País nesta quinta-feira, 26.

No centro da história, o quarentão Brad (Stiller) e seu filho, o pré-universitário Troy (vivido pelo péssimo Austin Abrams). Os dois resolvem fazer uma viagem para que o garoto veja e conheça algumas das principais universidades dos Estados Unidos. Nesse meio tempo, em que conhecem possibilidades estudantis, pai e filho se reconectam enquanto Brad enfrenta uma grave crise de meia-idade, fazendo com que ele ache todos os seus amigos são mais bem-sucedidos que ele.

A partir dessa premissa, o diretor Mike White (da série Enlightened) cria um filme ao redor de um monólogo. Ainda que O Estado das Coisas tenha personagens secundários e uma premissa que parece bem mais ampla, sua essência é um eterno monólogo interno do personagem de Brad, que tenta descobrir seu papel na sociedade -- hora enfrentando seus demônios do passado, hora pensando em como seria sua vida se tivesse tomado decisões diferentes.

Assim, o filme é oito ou oitenta. Muitos espectadores podem embarcar na ideia e se divertir com os dramas pessoais da personagem de Stiller -- que, mesmo fazendo um papel bem mais sério, causa humor em algumas situações. Afinal, alguns espectadores podem se identificar ou, ainda, identificar outras pessoas naquela situação. O resultado, nesses casos, será interessante. Enquanto isso, outras pessoas podem achar a trama realmente insossa e sem sal.

E essa segunda opinião também é totalmente compreensível. Afinal, o filme é baseado só na mente de Brad -- uma premissa, aliás, que ressoa no ótimo e recente filme A Vida em Espera, com Bryan Cranston. Muitos podem se chatear e achar a premissa desinteressante. Outro motivo que pode tornar a experiência de O Estado das Coisas desgastante é com o elenco de apoio risível: Simon Pegg aparece muito pouco e Austin Abrams (Cidades de Papel) está péssimo. Tem a mesma expressão pra tudo.

No entanto, vale ressaltar que Stiller está bem em seu papel. Nada estrondoso, mas que agrada e mostra que ele consegue, sim, fazer papéis dramáticos. O roteiro também é bem feito e tem amarração interessante, permitindo participação do público na interpretação. Além disso, o filme tem bons aspectos técnicos: a fotografia um pouco desbotada passa para a tela o cansaço dos seus personagens e a trilha sonora, baseada em violinos, casa bem com a trama em geral.

No final, O Estado das Coisas é um filme ok. Pode agradar -- e muito -- espectadores que se identificam com a situação, enquanto pode desagradar quem não tem interesse no assunto. Afinal, não há outros atrativos que façam o ingresso valer a pena para o segundo tipo de público. Ainda assim, porém, o longa-metragem é mais um tijolo no novo caminho que Stiller quer trilhar. E, pelos últimos resultados, é um caminho que está se mostrando muito positivo. Vamos acompanhar.

BOM

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