• Bárbara Zago

Crítica: 'O Futuro Adiante' é espécie de 'Boyhood' que deu errado


Boyhood: Da Infância à Juventude, longa-metragem que concorreu ao Oscar pela Academia no ano de 2015, é um filme que ainda divide opiniões. Afinal, algo que se propõe a acompanhar o crescimento de uma pessoa, levando mais de uma década para isso, merece ser reconhecido por sua ousadia, e também perseverança. Mesmo assim, há quem não goste, argumentando que o filme parece ter uma história pouco definida, perdendo-se em suas quase 3 horas de duração. O Futuro Adiante tenta seguir o mesmo percurso de Linklater, mas acaba se perdendo numa trama rasa e entediante.

El Futuro que Viene, título original, é o primeiro longa dirigido por Constanza Novick, o que torna mais compreensível o motivo de ser um filme tão fraco. A história é centrada na vida de duas amigas de infância que, ao crescerem, tomam rumos diferentes, mas não deixam de perder contato. Dolores Fonzi é Romina e Pilar Gamboa assume o papel de Florencia. Apesar de não atuarem mal, é perceptível como existe pouca sintonia entre elas, e isso é bastante prejudicial ao filme.

A ideia de Novick nessa dramédia é retratar a vida das protagonistas em três momentos: crianças, jovens adultas e adultas. O primeiro momento tende a focar mais na trilha sonora, que talvez seja um dos grandes pontos positivos do filme. As duas meninas são parecidas, o que parece incompatível com o decorrer da história. Os outros momentos já focam na diferença de personalidade, sendo Romina uma pessoa mais comedida, enquanto Florencia é totalmente impulsiva, causando uma antipatia no público. A fase adulta parece ter sofrido uma divisão totalmente desnecessária que mais prejudica do que qualquer outra coisa.

Chega a ser difícil falar de O Futuro Adiante porque, infelizmente, é um filme completamente descartável. A junção de uma história fraca com uma falta de clareza durante a troca de momentos estraga bastante sua dinâmica, tornando-o esquecível. Não é como se fosse algo torturante de assistir, mas dificilmente será algo para ser comentado numa roda de amigos. Algumas temáticas do filme parecem ser ignoradas sem motivo, que poderiam ser muito mais interessantes do que focar apenas na amizade de Florencia e Romina.

De fato, Novick conseguiu trazer alguns assuntos importantes, mas acabam sendo praticamente nulos quando não aprofundados. Infelizmente, neste caso, uma boa trilha sonora não é suficiente. O filme passa a impressão de ter entrado na onda de Boyhood, mas produzido sem o devido cuidado. É como se os 12 anos fossem reduzidos à poucos meses.

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