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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Homem Água', da Netflix, é conto de fadas simples, mas bonito


Apesar de estar em atividade desde os anos 1990, o ator David Oyelowo ganhou projeção nos cinemas principalmente depois de sua atuação em Selma, longa-metragem que interpreta Martin Luther King Jr. Depois disso, o ator conseguiu personagens cada vez mais de destaque, em filmes como Mundo em Caos e Alice e Peter. Agora, ele dirige seu próprio longa-metragem.


O Homem Água é uma espécie de conto de fadas. Nele, acompanhamos a história de Gunner (Lonnie Chavis), um rapaz criativo, artístico e inteligente que precisa lidar com a morte eminente de sua mãe. Assim, como refúgio de sua dor, ele acaba buscando consolo em seu próprio mundo de fantasias, com a ajuda de uma misteriosa e irreverente garota da região (Amiah Miller).


O objetivo final da garota e de Gunner, assim, é entrar na perigosa floresta que circunda a cidade em busca do Water Man. O Homem Água. Um ser que sobreviveu em um acidente e, diz a lenda propagada por um morador (Alfred Molina), que pode curar todas doenças. É, enfim, a última e mais desesperada esperança de Gunner, que deseja salvar sua mãe de qualquer maneira.

Numa mistura interessante de Ponte para Terabítia com Sete Minutos Depois da Meia-Noite, e pitadas nem um pouco desejadas de Uma Dobra no Tempo, o longa-metragem adota o tom de Sessão da Tarde para falar de um assunto sério. Forte. Mas que precisa, de alguma maneira, ser tratado no cinema infantil. Afinal, como as crianças lidam com a morte se isso não é tratado?


Oyelowo, que é um ator de mão cheio e que aqui interpreta o pai do garoto, mostra habilidade atrás das câmeras para transformar essa história em um conto de fadas moderno e maduro. Falta experiência em alguns momentos, principalmente quando o cineasta aposta em lugares-comuns para ressaltar aspectos delicados e mais sensíveis da narrativa. Falta ousadia.


No entanto, não dá para dizer que O Homem Água não é um filme sensível que sabe misturar drama e aventura. Tem seus deslizes, derrapando aqui e acolá. Mas mais acerta do que erra, apostando em uma trama cada vez menos frequente nos cinemas -- essas narrativas juvenis fantasiosas, com um pé no drama, a cara dos anos 1980. É só, enfim, viajar na história.


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