Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: 'O Informante' é filme da Netflix sem vergonha de seus clichês



Depois da bomba sem sentido Vozes e Vultos, agora chega a vez de falarmos de O Informante, longa-metragem que também estreou no catálogo brasileiro da Netflix nesta quinta-feira, 29. E enquanto o filme de terror não se decide em qual tom adotar, esta produção de Andrea Di Stefano (Escobar: Paraíso Perdido) investe pesado em um longo desfile de clichês. Mas funciona.


Bem, vamos partes. O longa-metragem conta a história de Pete Koslow (Joel Kinnaman), um polonês naturalizado americano, veterano de guerra, que tem um fantasma do passado perseguindo sua vida: o assassinato de um homem, em um bar, para defender sua esposa Sofia (Ana de Armas). Por conta disso, passou quatro anos na prisão e viu sua vida se transformar.


Assim, entramos na vida de Pete com a esposa e com sua filha Anna, de oito anos. Logo em seguida, ele começa a trabalhar infiltrado pro FBI na máfia polonesa sob comando da agente Wilcox (Rosamund Pike) e o agente Montgomery (Clive Owen) -- que querem prender o traficante “O General” (Eugene Lipinski). Apenas Pete pode atuar em campo para descobrir informações.

Di Stefano, sem nem pensar duas vezes, usa e abusa de clichês desde o primeiro momento do filme. A história do espião duplo, buscando alguma redenção, é algo que já foi explorado das mais diversas maneiras por aí -- Atômica, por exemplo, conseguiu trazer isso de forma atraente e complexa no clima da Guerra Fria. Nesse quesito, O Informante não traz nada de novo.


É muito fácil antever o que vai acontecer em cada cena e, mesmo quando alguma situação está bem no comecinho, já sentimos aquele sentimento de familiaridade. Vimos aquilo antes.


No entanto, não é um filme desastroso. Nos 40 minutos finais, quando o longa-metragem acaba seguindo por um caminho de sobrevivência na prisão, lembrando o clima de Confronto no Pavilhão 99, há um ganho claro de tensão na história, assim como de profundidade em alguns dos personagens -- principalmente do protagonista, Joel Kinnaman, mesmo com limitações.


É preciso abstrair dos absurdos e embarcar na ideia absurda do filme, relevando alguns escapismos difíceis de acreditar. Passando por isso, sem dúvidas, a diversão é certeira.


Falta um pouco de coragem ao diretor em incrementar um pouco mais a história e, acima de tudo, fazer um desfecho mais interessante. Caberia muito bem aqui, por exemplo, um final aberto. Assim, apesar dos cerca de 70 minutos realmente ruins, O Informante acaba se salvando nesse ato final mais intenso, tenso e cruel, com Rosamund Pike ajudando com uma boa atuação.

#Crítica #Cinema #Filme #Ação #Netflix

1 comentário