top of page
Buscar
  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'O Limite da Traição', da Netflix, é suspense brega e cafona


A grande pergunta é: por qual motivo ainda dão dinheiro para Tyler Perry? O ator, produtor, roteirista e cineasta americano é responsável por várias coisas nos cinemas que não são nada mais do que risíveis. Ele é o faz-tudo da franquia de comédia Madea, sempre indicada ao prêmio Framboesa de Ouro, e responsável por filmes terríveis como Acrimônia e Relação em Risco.


Agora, porém, o cineasta chega ao catálogo da Netflix com um drama de tribunal cafona, brega e irreal. É O Limite da Traição, longa-metragem escrito e dirigido por Terry, que também atua ao lado das protagonistas Crystal Fox (Conduzindo Miss Daisy) e Bresha Webb (Operação Supletivo).


Na trama, o espectador acompanha a história de Jasmine (Webb), uma advogada da defensoria pública que é designada para um caso resolvido: o crime cometido por Grace (Fox), uma mulher de meia-idade que se declarou culpada no assassinato de seu marido (Mehcad Brooks). No entanto, apesar de novata, a advogada-protagonista fareja que há algo a mais nessa história.


Assim como em Acrimônia, um dos piores filmes de 2018, Perry não consegue esconder reviravoltas, subtramas ou coisas do tipo. Com apenas 30 minutos de filme, o espectador já pode sacar nuances de trama, detalhes da história e até futuros plot twists. Afinal, não há refinamento no texto ou na direção de Perry, que age como um caminhão desgovernado na hora de filmar.

A trama é apressada, tem elementos caricaturais e muitos detalhes não encaixam. A história contada no tribunal é uma das piores que já vi nos cinemas -- a advogada age com impulso, sem nenhuma lógica, e passa por transformações sem pé nem cabeça. A forma como a defensoria trata o caso é criminosa e nunca há desfecho satisfatório. É bizarro como tudo é desconjuntado.


O pior, porém, é que o filme poderia se salvar em seus minutos finais, com uma reviravolta forte e que poderia fazer o espectador rever o filme com outros olhos. Mas não. Perry, do alto da absoluta falta de qualidade em seu trabalho, entregou a reviravolta numa cena inicial patética e não surpreende ninguém. E, de novo, alguns elementos são bregas, cafonas e causam riso.


Por exemplo: no final, uma das personagens saca a reviravolta. E a forma como isso acontece não faz sentido. Ela vê elementos que não existiam e que nem tinham sido sugeridos até então.


Para a cereja do bolo, as atuações risíveis. Com exceção de Fox, ninguém no elenco se salva. Mehcad Brooks (True Blood) não consegue entregar as sutilezas que seu personagem exige; Phylicia Rashad (Creed) está afetadíssima, apesar de um ou outro momento; e Webb... acho que nem vale a pena falar sobre. Uma das piores atuações do ano -- e estamos em janeiro.


Enfim, é um fiasco de filme. O Limite da Traição tenta apresentar um drama interessante, embalado num suspense típico, mas acaba só causando riso e vergonha alheia -- como já tinha sido em Acrimônia. E aqui, neste caso, nem dá pra falar que dá pena ou que poderia ter sido melhor. Só assistir a filmografia de Tyler Perry e ver como tudo ali não faz sentido. Nada.

 
10 comentários

10 Comments


Angela Freire
Feb 23, 2023

Mais uma vez vendo as críticas de um filme pra saber se devo assistir ou não. Quando os críticos dizem que é ruim eu assisto, porque é sempre o contrário do que eles falam. Assisti o filme e achei ótimo. Esse acrimônia nunca vi, mas se disseram que é ruim deve ser bom também.

Like

maximopsi
Mar 14, 2020

Concordo com a crítica sobre a trama ser "apressada", que faz com que por exemplo, logo no início do filme, a advogada que não conhecia Sara, ao encontrá-la, não se apresente e nem confirme se ela se tratava da pessoa que estava à procura e nem que Sara interrogue a advogada sobre de quem se trata e já vai convidando-a para entrar. Tbm trás cenas corridas no Tribunal, sem os pormenores que o caso exige, como a falta de declarações das testemunhas, as quais muitas surgiram do nada! Bem como, no final quando o policial, esposo da advogada, entra no desfecho de forma abrupta e sem maiores explicações e link com o restante da trama.

Porém, NÃO concordo que o…

Like

luziaegabi2014
Feb 11, 2020

Concordo com a crítica, porém acho válido assistir o filme e posso dizer que me surpreendi no final!

Like

marlybatistamuniz
Jan 26, 2020

Eu amei o filme

Like

sant.cleidson
Jan 22, 2020

Discordo completamente da crítica. O filme é ótimo. Conseguiu tirar-nos do cenário de julgamente e colocou-nos em um suspense completamente diferente do apresentado durante o filme inteiro e, no final, nos surpreendeu com o desfecho.

Like
bottom of page