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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Ninho' é filme que trabalha apenas em prol do plot twist


Se tem uma coisa que M. Night Shyamalan sabe fazer, apesar de suas derrapadas nos últimos anos, é plot twist. Além de trazer reviravoltas chocantes, afinal, o cineasta consegue construir uma narrativa ao redor para embalar aquelas mudanças bruscas de roteiro para nos deixar, de fato, chocados. E é justamente isso que O Ninho, estreia da última quinta, 11, não sabe fazer.


Produção italiana comandada por Roberto De Feo, do longa-metragem Um Clássico Filme de Terror, o filme conta a história de uma família um tanto quanto bizarra, encravada em uma área rural e isolada da Itália. Em foco está Samuel (Justin Korovkin), um garotinho cadeirante cerca de um cuidado exagerado e que, basicamente, não consegue ter a vida como qualquer criança.


Sua situação muda, porém, quando uma jovem (Ginevra Francesconi) chega na casa. Ela quebra o equilíbrio milimetricamente calculado pela mãe de Samuel, interpretada por Francesca Cavallin. A partir daí, começa toda a estranheza do longa-metragem e, é claro, surgem questões: o que está acontecendo para Samuel ficar trancado em casa? O que causa, enfim, preocupação?

De Feo sabe criar a ambientação, como vimos também em Um Clássico Filme de Terror, mas aí surge um outro problema: não sabe desenvolvê-la. Ao contrário de Shyamalan, que nos deixa preso na história e nos desorienta sobre o que está acontecendo, De Feo causa sonolência. Não dá vontade de mergulhar na história para descobrir o mistério, mas sim tirar um bom sono.


As coisas não avançam, não encontram meios de aprofundar a história. Ao final de O Ninho, é natural que surja o choque, a surpresa — por isso, aliás, é até natural que uma ou outra pessoa goste do resultado. Afinal, é a conclusão do filme que fica na cabeça. Mas, ao pensarmos em tudo que passamos por ali, fica a dúvida: a que custo e cansaço de esperarmos tanto?


O Ninho é, basicamente, um filme de 107 minutos que trabalha apenas em prol de seu final. Não há personagens que criamos vínculos, não há uma história que movimente nosso interesse, nada. O único ponto positivo é a boa ambientação, que é responsável por causar o fiapo de suspense que nos acompanha, e o final em si. Mas será que isso é o bastante? Fica pra cada um.


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