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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Peso do Talento' é a homenagem definitiva à Nicolas Cage


Cá entre nós, Nicolas Cage era um ator que tinha tudo para ser um A-List de Hollywood, mas que acabou seguindo por um caminho duvidoso. Principalmente depois de alguns grandes fracassos (O Aprendiz de Feiticeiro e A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos), ele acabou optando por dar prioridade à projetos duvidosos e filmes sem qualidade artística. Parecia que Caga estava fadado ao fracasso. Até que, nos últimos anos, o astro começou a dar a volta por cima.


Começou em 2018, quando Nicolas Cage protagonizou o ousado, criativo e estranho Mandy: Sede de Vingança, um filme que mexeu com cinéfilos ao redor do mundo. Depois, essa movimentação se concretizou com o ótimo A Cor que Caiu do Espaço, o estranho e divertido Willy's Wonderland: Parque Maldito, o potente Pig e, agora, com O Peso do Talento, comédia de ação que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 12, celebrando e homenageando Cage e sua carreira.


E a trama não poderia ser mais clara nesse sentido: o ator interpreta a si mesmo, ainda que um pouco menos conhecido e mais underground, vivendo uma fase complicada de sua carreira depois de não conseguir um importante papel. Desiludido, ele aceita a sugestão de seu empresário (Neil Patrick Harris) para aceitar o convite de um bilionário espanhol (Pedro Pascal) que quer Nicolas Cage em seu aniversário. A partir daí, começa uma desventura do ator.


O diretor Tom Gormican (Namoro ou Liberdade), que também assina o roteiro ao lado de Kevin Etten, tem dois objetivos bem claros: fazer humor com essa situação absurda entre Nicolas Cage e seu fã máximo, assim como homenagear o ator. Para isso, ele enche a trama com pequenos easter eggs e referências sobre o trabalho do americano, indo desde uma conversa entre Nic com o personagem de Coração Selvagem e chegando até objetos de cena e diálogos marcantes.

É, assim, uma homenagem definitiva ao astro, que vê sua carreira ser revisitada e ressignificada ali, bem na frente de seus olhos. É a virada de chavinha definitiva do ator, que deixa de ser conhecido por seu trabalho duvidoso e passa de vez a ser cult. Se ele souber aproveitar bem essa oportunidade (lembre-se que o aguardadíssimo Renfield também vem vindo por aí!), é bem capaz que o ator volte para a A-List de Hollywood, voltando a aparecer nos grandes estúdios.


O humor, enquanto isso, se segura nessa única piada durante todo o filme -- é, basicamente, a mesma coisa se The Dude ficasse em busca do tapete durante toda a história de O Grande Lebowski. Funciona até certo ponto. Com isso, temos um começo extremamente promissor, muito engraçado e com algumas sacadas realmente espirituosas. Aos poucos vai perdendo a força, com um meio inconsistente (apesar da cena das drogas) e um final que perde a força.


O terceiro ato de O Peso do Talento, enquanto isso, se transforma totalmente -- há muito mais ação, tiroteio e investigações do que humor propriamente dito. Gormican muda demais o tom do filme, de uma hora para a outra, justamente por conta dessa piada solitária e que nunca avança. Fica uma sensação estranha, de que o filme é um tanto quanto desconjuntado, sem conseguir se manter nas ideias iniciais. Transformações são boas, é claro, mas se feitas com organização.


Ainda assim, O Peso do Talento é uma boa experiência nos cinemas. Divertido, ousado, disruptiva. Coloca Nicolas Cage em outro nível, mostrando como está transformando sua imagem aos poucos -- apenas um ator bem humorado aceitaria fazer um filme como esse. Contando ainda com a atuação leve e divertida de Pascal (The Mandalorian), é um filme que funciona. Poderia ser melhor? Com certeza. Mas vai deixar fãs de Nic Cage emocionados.

 

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