• Matheus Mans

Crítica: 'O Que Será de Nozes? 2' não é genial, mas diverte crianças


O Que Será de Nozes? chegou aos cinemas nacionais em meados de 2014 e fez relativo sucesso -- no IMDB, por exemplo, tem nota média 6,0. Isso, porém, já foi o bastante para o estúdio ToonBox se animar e começar a produzir um novo filme para a franquia. Agora, o resultado final do novo capítulo da sagas dos esquilos chega aos cinemas com uma história que promete agradar as crianças e divertir adultos que irão acompanhar os pequenos nas salas de cinema.

O Que Será de Nozes? 2 lembra a história do divertido mas esquecido Os Sem-Florestas: um grupo de animais está vivendo sua vida tranquilamente na natureza quando decidem acabar com o local. No caso do filme dos esquilos, o problema se dá quando um estranho e corruptível prefeito decide acabar com um parque municipal -- moradia dos tais animaizinhos -- para transformar o lugar em uma espécie de Disneylândia. O resultado já se viu: animais desesperados por abrigo.

A história em si, como já assinalei, não é original -- além de Os Sem-Florestas, o clássico Era Uma Vez na Floresta também tratou do mesmo tema e da mesma forma. Em O Que Será de Nozes? 2, porém, usa de personagens marcantes, boa trilha sonora e uma bonita mensagem que vai além da ecologia e preservação do meio-ambiente para se sobressair em comparação com outras histórias do gênero, expandindo as áreas de interesse de pais e crianças.

Sobre o primeiro ponto, o grande acerto é nos personagens coadjuvantes: ainda que Surly e Andy sejam divertidos, são os outros animais que possuem os momentos mais divertidos. O rato mudo, a cachorra pug e o camundongo que prevê a morte o tempo todo ajudam a quebrar o gelo da história com a plateia. Pena, porém, que o roteiro não acerta no timing das piadas: algumas entram em momentos aleatórias e não animam a audiência. Faltou um melhor cuidado nisso.

Outra coisa que faz com que a audiência perca um pouco a paciência -- principalmente os pais, que devem ficar inquietos e impacientes -- é o prefeito, que faz as vezes de vilão. Apesar de ter uma filha divertida, ele não passa de uma grande caricatura e sem nenhum tipo de aprofundamento. As piadas são óbvias e não há tratamento em cima de sua personalidade. As crianças não precisam disso: só ver vilões da Pixar, por exemplo, muito bem delimitados e com bons objetivos.

Ainda assim, porém, a trilha sonora ajuda a compensar. Que divertido ver os esquilos ao som de Born to be Wild. Funciona bem e deve animar mais velhos. Outro ponto interessante para a animação é a mensagem do filme: ainda que o seu principal mote ainda seja a ecologia, há uma certa analogia da fábula da lebre e tartaruga quando há analogias entre Surly querer fazer as coisas de um modo mais rápido, buscando atalhos, enquanto Andy toma cuidado e faz tudo com calma. É bonitinho de se ver.

No final, fica a sensação de que O Que Será de Nozes? 2 não é nenhuma animação genial, mas também não irá decepcionar. As crianças devem gostar dos personagens, enquanto os mais velhos devem se divertir e passar um bom tempo com os pequenos. Tudo para ser um programa familiar divertido! E detalhe: se puder ver legendado, não perca a chance. Tem a voz de Jackie Chan em um personagem muito improvável e que cria um bom momento no longa-metragem.

BOM

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