• Matheus Mans

Crítica: 'O Retorno do Herói' é agradável surpresa de 2018


Como é bom ir ao cinema e ser surpreendido. E se tem um gênero que tem proporcionado essa sensação em 2018 é a comédia. Contrariando expectativas, os "filmes de riso" têm se destacado durante o ano, como foi o caso de Jumanji: Bem-Vindo à Selva, A Noite do Jogo e Te Peguei. Todos divertidos e bem-feitos. Agora, a cereja do bolo é a comédia francesa O Retorno do Herói, que chega aos cinemas nesta quinta, 20.

A trama é quase uma comédia de erros. Capitão do exército francês, Neuville (Jean Dujardin) vai para a batalha com um compromisso firmado no seu País natal: se corresponder com a noiva Pauline (Noémie Merlant). No entanto, ele some e nenhuma carta é enviada. Quem assume o posto de remetente, para evitar que moça adoeça, é a cunhada Elisabeth (Mélanie Laurent), que cria uma trama mirabolante para justificar o sumiço.

O caldo entorta, porém, quando Neuville reaparece sem nenhuma boa desculpa. Aí é um caos: Pauline se arrepende de ter casado com outro, o capitão galanteia as mulheres e se aproveita da fama de herói e, por fim, Elisabeth tenta não ser descoberta por todos.

O francês Laurent Tirard, novamente, mostra total domínio sobre o humor após os ótimos O Pequeno Nicolau e Um Amor à Altura. Tipicamente francesa, a comédia aqui não apela e não tem momentos que tenta tirar riso fácil. Tudo é muito bem arquitetado e comedido, tentando provocar um sentimento de diversão constante e genuíno na audiência. Difícil tirar o sorriso do rosto durante os vinte primeiros minutos. É gracioso.

Depois que o roteiro começa a se assentar, então, o brilho do longa-metragem é transferido para Jean Dujardin (O Artista) e Mélanie Laurent (O Homem Duplicado). Que dupla! Ele continua extremamente magnético e charmoso, enquanto ela consegue, naturalmente, trazer uma personalidade mais misteriosa e explosivo. A química na tela é certeira e ajuda o filme a trazer momentos delicados, mas também bem engraçados.

Há de se destacar uma piada sobre diferença salarial entre homens e mulheres. Difícil um diálogo ser mais atual e sintomático, atualmente, no País. Muito inteligente.

Aspectos técnicos também chamam a atenção. Ambientado no século XIX, Laurent Tirard consegue trazer bons cenários, boa indumentária e uma ótima trilha sonora para a ambientação. O elenco de apoio -- com nomes como Féodor Arkine, Christian Bujeau e a ótima Evelyne Buyle -- também ajuda a fazer o espectador entrar no clima do longa.

Mas o que se destaca nas tecnicidades é o roteiro. Como já dito, o humor é injetado em doses homeopáticas e que vai crescendo conforme o filme ganha corpo e conquista a sua audiência. No final, contrariando expectativas, Laurent assume um papel bem mais emotivo e grandioso, que faz arrepiar, emocionar e vibrar com o que é visto na tela. Difícil pensar que um filme como O Retorno do Herói pudesse provocar emoções tão genuínas.

Assim, por mais que não seja perfeito -- tem um ou outro momento machista, algumas piadas desencaixadas e situações exageradas --, O Retorno do Herói é uma agradável surpresa de 2018. Faz rir, emociona, arrepia, faz a audiência vibrar. É um filme, tipicamente, de emoções. É algo que o Brasil, sem dúvidas, precisa num momento tão sombrio. Vá aos cinemas! Sem dúvidas, você vai sair da sessão com a alma lavada.

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