• Matheus Mans

Crítica: 'O Segredo da Floresta' é terror raso e vergonhoso


"O horror! O horror!". Essa frase, dita por um enlouquecido Kurtz no romance O coração das trevas, de Joseph Conrad, se tornou uma das citações mais repetidas dos últimos tempos. E, sem dúvidas, pode ser entoada com força ao final do longa-metragem O Segredo da Floresta, bomba cinematográfica que chegou ao projeto de Cinema Virtual, por módicos R$ 24,90.


E, caro leitor, já aviso: o preço, nem de longe, vale a pena por esta atrocidade. Dirigido por Vikram Jayakumar, o longa-metragem tenta assustar ao contar a história de um casal que, em plena viagem à Índia, acaba salvando uma garota acusada de estar possuída. Esperançosos e ajudá-la, eles a abrigam no hotel em que estão e começam a dar um jeito para tirá-la dali.


E nem preciso falar que isso dá muito errado, certo? A garota acaba causando momentos amedorentadores para o casal e mostra que, muitas vezes, a possessão pode estar ali ao lado.


Não há, em O Segredo da Floresta, nenhum momento inspirado ou realmente transformador. Tudo aqui parece ter sido sugado de outras produções, de outros tempos, e misturado em uma única bobagem. Tudo é genérico, tudo não é inédito. A sensação é que Vikram não conseguiu criar nada de realmente assustador a partir da cultura indiana. Apenas adaptou e ponto final.

O resultado é um dos filmes de horror menos assustadores dos últimos anos. Recorrendo à frequentes jumpscares, não há elementos bem trabalhados pelo cineasta ou pelo elenco que sirvam ao público. Além disso, há elementos para acreditar que nem em grupo este filme funciona. Afinal, não há do que se divertir. É uma história entendiante e que vai só dispersar.


Se o elenco fosse minimamente bom, o resultado poderia ter sido um pouco mais interessante. Mas nem isso. Vanessa Curry e Sahil Shroff patinam em seus roteiros, absurdamente simplórios, e não conseguem criar uma unidade de atuação. Shroff, principalmente, parece ter saído de uma novela mexicana ruim. Não sabe expressar sentimentos, emoção, nada do tipo.


A única coisa um pouco atrativa é uma reviravolta, lá pelo meio, que acaba incrementando um pouco mais o clima da história. No entanto, não salva. Não há uma mitologia por trás, não há algo realmente tenso ou perturbador. Não há uma história. Vikram apenas coletou um apanhado de clichês e jogou nas telonas. É melhor passar longe. E gastar seus R$ 29,90 com algo melhor.

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