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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'O Urso do Pó Branco' diverte em filme com cara dos anos 1980


Por si só, a premissa de O Urso do Pó Branco já é absurda: conta a história de um urso que encontrou pacotes de cocaína no meio da floresta, comeu a droga e, basicamente, ficou doidão. Se tornou uma besta desenfreada. Matou pessoas, se tornou basicamente um tanque de guerra com dentes e sem qualquer freio. Inacreditavelmente, uma história que é verdadeira.


Dirigido por Elizabeth Banks (As Panteras) e roteirizado por Jimmy Warden (do fraco A Babá), o longa-metragem se concentra na história do urso e polvilha uma série de personagens no caminho do animal. Tem uma mãe (Keri Russell) procurando a filha perdida na floresta, uma guarda-florestal bizarra (Margo Martindale), um detetive (Isiah Whitlock Jr.), além de traficantes.


Banks e Warden, enquanto isso, transitam entre dois gêneros para contar a história de O Urso do Pó Branco: terror e comédia. De um lado, o filme trata o animal drogado como um verdadeiro monstro, sanguinário e inclemente. Do outro, o drama dos personagens nunca é tratado com qualquer profundidade pra não deixar a coisa tosca. Tudo é engraçado. Comédia de situação.

Nesse contexto, algumas coisas vão melhores do que outras. A comédia, por exemplo, se sai muito melhor do que o terror -- ou até mesmo o drama de sobrevivência, caso não queria classificar O Urso do Pó Branco nesse universo do horror. Já na questão dos personagens que entram no caminho do urso, também temos algumas histórias que funcionam mais que outras.


A jornada da mãe atrás da filha, por exemplo, tem pouco impacto -- e olha que Russell (Missão: Impossível 3) é tratada como protagonista do longa. Confesso que não devo lembrar dessa subtrama amanhã. Já outros personagens funcionam bem melhor dentro desse cenário cômico. É o caso do detetive, muito bem vivido por Whitlock, além da sempre excelente Martindale.


Esses personagens, bizarros e dentro desse contexto inacreditável, deixam tudo ainda mais engraçado e divertido. Funciona também, na direção de Banks, o clima oitentista para a narrativa. Não no sentido nostálgico, de querer forçar uma década na narrativa, mas de tom do filme mesmo: o longa-metragem, para o bem e para o mal, parece saído dos anos 1980.


Enfim: O Urso do Pó Branco tem lá os seus defeitos e pontos que poderiam ser melhorados. Mas, como uma comédia de situação inacreditável, é divertidíssimo, com boas atuações e algumas cenas que rendem gargalhadas. E o melhor de tudo é que Banks reviveu esse tipo de filme, de médio orçamento e que décadas passadas faria muito sucesso, com coragem e muita ousadia.

 

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