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  • Matheus Mans

Crítica: 'Olá, Adeus e Tudo Mais', da Netflix, é filme bobinho que perde oportunidade


Confesso que fiquei muito surpreso em alguns momentos de Olá, Adeus e Tudo Mais, estreia da Netflix desta quarta-feira, 6. Dirigido pelo estreante Michael Lewen, o longa-metragem conta a história de Claire e Aidan, um casal que se conheceu um pouco antes de ir para a faculdade. Ou seja: pouco antes de mudarem de cidade, de vida. Os dois sabem que não há como manter o relacionamento. É ponto final. Com isso, decidem fazer uma verdadeira "cerimônia de término".


É, assim, o contrário da fossa. Eles não querem ficar chorando por aí, se lamentando de como não puderam ficar para sempre juntos. A ideia é que eles possam aproveitar os últimos momentos lado a lado, celebrando o que viveram nos últimos meses e deixando, para sempre, uma marca na memória de cada um. Aidan (Jordan Fisher) é o que mais se esforça, guiando a namorada. Claire (Talia Ryder), enquanto isso, se deixa levar, quase em estado de catarse.


A partir disso, por alguns segundos em algumas cenas, imaginei que o filme iria por um caminho inusitado: falar sobre a dificuldade do adeus de maneira séria e profunda. Afinal, por mais que seja programado, o adeus dói. Machuca. Não dá para fingir que as coisas estão caminhando com naturalidade, já que não é natural se manter afastado da pessoa que ama. Os dois, porém, precisam lidar com essa separação que a vida americana exige dos mais jovens.

Seria, sem dúvida alguma, algo profundo, denso e que, ainda assim, poderia agradar aos mais jovens com uma trama sobre distanciamento e amores complicados. Afinal, como um grande amigo meu disse certa vez, é bonito ver casais novos, que brigam por besteiras e pela distância que surge com um dia sem se ver. Só que Lewen, que comanda essa história original de um best-seller, não segue por esse caminho mais denso, reflexivo, original, criativo e provocativo.


Pelo contrário: Olá, Adeus e Tudo Mais foca no óbvio. Tem medo, inclusive, de falar sobre o adeus em si -- no final, mais de uma vez, Claire fala como as coisas não precisam ser um prólogo ou um adeus. O filme falha, fica com medo, volta atrás. Não chega no nível que poderia. É, assim, mais uma bobeira da Netflix que, de novo, ninguém vai lembrar daqui 10, 15 dias. Vai sumir no catálogo. E, com isso, me questiono: qual a memória cinematográfica dos mais jovens hoje?


A Netflix segue apenas pelos caminhos mais toscos possíveis, sem nunca inovar e trazendo a mesma história reciclada. Disney apostou em uma produção de conteúdo em massa que não sai mais lugar. Virou vítima dos próprios fãs. Os outros streamings não avançam. E o cinema independente brilha com histórias que, há 15 anos, passariam batidas e tratadas como mais do mesmo. Estamos estagnados. E isso é perceptível até em um filme bobinho como esse aqui.

 

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