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  • Giulia Costa

Crítica: 'Os Papéis de Aspern' é filme envolvente e intrigante


Os Papéis de Aspern foi baseado na obra de Henry James, publicada em 1888, e conta a história de Morton Vint (Jonathan Rhys Meyers), um editor norte-americano obcecado pelo poeta romântico Jeffrey Aspern (Jon Kortajanera) que tem como maior ambição de vida ler as cartas que Aspern escreveu para Juliana Bordereau (Vanessa Redgrave), sua antiga amante. Para realizar esse desejo, Morton viaja até Veneza, onde conhece Juliana, já uma senhora, e sua sobrinha Miss Tina (Joely Richardson).

Para tentar descobrir o teor das cartas de Aspern, o protagonista assume uma nova identidade e esconde suas reais intenções com o objetivo de persuadir a sobrinha de Juliana a ajudá-lo. No entanto, ao descobrir os verdadeiros planos de Morton, Miss Tina revela que irá auxiliá-lo, mas precisará que ele aceite as condições que ela propõe.

O diretor Julien Landais faz um belo trabalho no sentido de tornar um enredo simples e sem muita ação em uma história envolvente e fluida. O filme poderia facilmente ser monótono, mas possui dinamismo e intensidade. Contudo, há algumas sequências confusas que se misturam com pesadelos dos personagens que uma edição melhor resolveria. Além disso, há várias cenas de flashback do escritor e sua musa ainda jovens que poderiam facilmente ter saído de um comercial de perfume por parecerem muito ensaiados e bregas, sem naturalidade alguma.

É necessário destacar a linda fotografia e figurinos e os personagens intrigantes, especialmente as mulheres. O filme é carregado de subjetividade, onde não há um vilão e um mocinho, mas muitas facetas das personalidades dos personagens que são suficientemente exploradas, mas que ainda deixam o público curioso mesmo com o fim do filme. Além disso, as interpretações são excepcionais, especialmente as de Vanessa Redgrave e a de Joely Richardson.

Os Papéis de Aspern possui uma história simples, mas tão bem trabalhada que sua profundidade facilmente atiça a curiosidade do público e o mantém atraído pela narrativa e seus personagens, muito além da necessidade de desvendar o misterioso conteúdo das cartas de Jeffrey Aspern. A sensação que fica é de que há muito mais do que se vê nas tela.