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  • Matheus Mans

Crítica: 'Parque Oeste' é filme necessário sobre sociedade e espaço


Foi no bairro Parque Oeste, em Goiânia, que 13 mil pessoas ocuparam um terreno. Estava abandonado e devendo impostos. Era uma área gigantesca. Essas famílias, tomando o lugar desatento do Estado, fez a Constituição valer. Deu um sentido para aquele local. Primeiramente, construíram barracos. Depois, com presença estadual, foram além e construíram suas casas.


No entanto, do nada, tudo mudou. O governo do estado, passadas as eleições, mudou de atitude. Sem conversa, colocou a polícia no local para desapropriação. Tiros para todo lado. Correria. Pessoas morreram. E aquela terra voltou a servir ao sistema. E é justamente sobre isso que fala o potente documentário Parque Oeste, lançamento dos cinemas nesta quinta-feira, 2.


Dirigido por Fabiana Assis, o longa-metragem mostra o antes, o durante e o depois dessa desapropriação violenta. É interessante, ao longo desses 70 minutos de duração, acompanhar como a coisa começou, evoluiu e, rapidamente, terminou de um jeito completamente inesperado. É um assunto que choca, que revolta, que dá vergonha de saber que o Brasil causou isso.


Uma pena, porém, que o filme não siga pelo caminho mais produtivo: que é não só contar a história do Parque Oeste como um todo, como também os efeitos e o que causou essa destruição social. Até mesmo quando esbarra em algumas discussões sobre urbanismo há um enriquecimento do documentário como um todo, já que o Parque Oeste parte como reflexão.


Mas Fabiana acaba mirando em assuntos detalhados demais, como a história de uma mulher que passou pela ocupação, que acaba diminuindo um pouco do impacto de Parque Oeste. Não que a história dela seja ruim, pelo contrário. Mas, neste caso específico, seria melhor mostrar o macro do que o micro. É quando o documentário realmente funciona. Mas, ainda vale assistir.


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