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  • Matheus Mans

Crítica: 'Peçanha Contra o Animal' é filme divertido da Amazon Prime Video


Podemos dizer que Peçanha Contra o Animal é um filme complicado. Afinal, o longa-metragem inspirado em esquetes do Porta dos Fundos acompanha as desventuras de Peçanha (Antônio Tabet), um policial do Rio de Janeiro que é, basicamente, um conjunto de clichês. Tem bigode, se faz de durão, acha que entende de tudo, atira para e contra qualquer coisa. É uma bagunça.


No entanto, seus dias de moleza e bordões prontos chegam ao fim quando ele e o parceiro Mesquita (Pedro Benevides) entram no meio de uma investigação séria: descobrir a identidade do serial killer Animal -- nome dado por Datena, vale dizer. No meio desse processo, há idas e vindas: eles são demitidos, voltam, encontram pistas, perdem pistas e por aí vai. Bem típico.


Só que o foco de Peçanha Contra o Animal, é claro, não está exatamente no suspense e na missão de descobrir o nome do assassino. Está na graça, no humor que se faz com esses estereótipos do que é ser policial. As conversas de Peçanha com Mesquita são impagáveis -- a explicação do personagem de Tabet sobre manauaras é ótima -- e há boas sacadas.

Tabet, já conhecido pelo personagem com suas esquetes, mantém bem o tom esperado: é exagerado, caótico e faz um policial machão só nas aparências. No entanto, como é de praxe nos filmes do Porta dos Fundos, como A Primeira Tentação de Cristo e Teocracia em Vertigem, logo começam as cutucadas nos policiais e até mesmo na forma de se fazer investigação no País.


Há exageros, claro: alguns momentos de escatologia desnecessários (a cena com a camisinha, por exemplo) e piadas que já foram usadas em exagero, como o policial que persegue um criminoso e, para imitá-lo, passa por cima de um capô de carro mesmo sem precisar. Mostra que a direção de Vinicius Videla talvez não tenha tanto repertório para sacadas sucessivas.


O grande problema é como o filme, em determinado momento, deixa de rir desses policiais tão absurdos para rir com eles. Parece que esquece como o Rio de Janeiro é um dos lugares do mundo em que a polícia mais mata, assassina. Fica estranho, desconfortável. Havia espaço para mais absurdos, mais exageros. Mais cutucadas. No final, Peçanha diverte, mas com limites.


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